A Noite dos Palhaços Mudos.

palhaco

Nada como uma peça de teatro numa quinta feira com chuva em Chapecó. Não, esse comentário não é pejorativo. Peças de teatro são legais quando elas são legais. Parece um comentário idiota, mas as vezes a despretensão faz com que pequenas situações se transformes em grandes eventos. O evento é promovido pelo SESC Chapecó e aconteceu no Centro de Eventos. Já havia ouvido falar da peça que na verdade se trata de uma adaptação de uma história em quadrinhos. Isso mesmo os quadrinhos estão dominando o mundo. Em todos os segmentos culturais encontramos referencias a esta que é uma das formas mais legais de contar uma história. Lógico que essa fala é de alguém que curte muito o estilo e sempre que possível acompanha muitas publicações.

Pois bem a Noite dos Palhaços Mudos a peça, é uma adaptação de uma história em quadrinhos do Laerte intitulada a Noite dos Palhaços Mudos. Muito mais do que ser quadrinista, acredito que o Laerte é um filósofo. Um pensador pós-moderno. Um cara que usa toda sua sensibilidade para provocar algo nas pessoas. Sempre critico, as vezes engraçado e muitas vezes profundo nas suas observações e percepções do mundo. Esse é o Laerte. Gosto muito dos seus personagens os Piratas do Tiete, Overman e por aí vai. Mas é nesse humor do cotidiano, talvez despretensioso é que eu acredito que suas constatações ganham força. As situações mais comuns, representadas de forma (as vezes surreal), mas que te conduz a uma linha de pensamento profundo. E nesse sentido a genialidade esta nesse cotidiano de coisas simples. Poderia ser qualquer um de nós os protagonistas das suas histórias. Talvez seja por isso que nos identificamos tanto.

Voltando a peça. Fiquei muito curioso em saber como que uma adaptação de uma história que não é tão comprida assim fosse funcionar num palco. E aí a surpresa foi muito positiva. Além do texto, ou falta dele, já que os palhaços são mudos (piada infame, mas que achei que poderia funcionar no contexto) é muito bacana perceber a forma lúdica com que os atores captaram a essência da história e transferiram para o palco. Eles incorporam a idéia dos palhaços de forma inacreditável. Tudo bem que a referencia é boa, mas a interpretação e o contexto todo é que deu vida a tudo isso. Fico muito evidente que a peça soa como uma resposta a forma com que o palhaço é visto nos dias atuais. Parece que o palhaço perdeu o encanto e muitas vezes é tratado com desprezo. Na história contada a figura do palhaço aparece de forma superior. Um palhaço que é esperto, engaçado, divertido e sensível. Referenciando os grandes nomes da mímica e pantomima mas com certeza a associação ao Chaplin é inevitável. Afinal de contas é um palhaço mudo.

Muito além disso, está a forma com que eles exploram o palco, luz e som em pequenos momentos de idéias geniais para contar um história. Seja nos palhaços subindo pelas paredes, numa perseguição de carro sensacional, no numero musical dos sinos, ou nos números musicais, acrobáticos e de mágica que acontecem durante o espetáculo. Interessante perceber o poder da não palavra. Como eles são mudos tudo acaba centralizado na pantomima, gestos e movimentos corporais que extrapolam as perspectivas. Demonstrando a flexibilidade que o palhaço tem na hora de propor uma brincadeira gerando uma ilusão, provocando o imaginário lúdico das pessoas que riem e deliram junto com eles. As crianças são um caso a parte, elas ficam vidradas e interagem de forma totalmente incrível. Respondendo a cada gesto ou movimento, seja com fala, grito, palmas. Tudo é válido quando a imaginação acompanha o raciocínio proposto pelos palhaços mudos.

No palco são três atores, mas que são muito bem resguardados por uma equipe técnica que faz tudo funcionar da melhor forma possível. O terceiro personagem, que é o vilão da história, o cara que persegue os palhaços,  se desdobra em outros tantos. É o único personagem que fala na peça e consegue efeitos sensacionais.

A Noite dos Palhaços Mudos é uma montagem realizada pela Cia. La Mínima, acessando o site (www.laminima.com.br) é possível ver outros espetáculos da companhia e acompanhar os locais onde eles estão se apresentando. A Noite dos Palhaços Mudos foi o espetáculo com mais indicações da 21ª edição do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo, referente às peças que estrearam no primeiro semestre (de janeiro a junho) de 2008. A peça teve quatro indicações: duas de melhor ator (Domingos Montagner e Fernando Sampaio), uma pela trilha sonora original de Marcelo Pellegrini, e outra pela direção de Álvaro Assad.

O espetáculo não é longo. Ao meu ver é um tamanho de peça ideal, cerca de uma hora de um universo mágico que te eleva o espírito e te provoca sentimentos legais.

Parabéns ao SESC e obrigado por essa oportunidade. Se estiver passando perto da sua cidade, vá assistir.

Aqui você confere a história original no site oficial do Laerte

 http://www2.uol.com.br/laerte/personagens/palhacos/parte1.html

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