2 shows – V-Yes e Cachorro Grande.

Sempre gostei de ver bandas ao vivo. Na verdade acho que é ali que a coisa toda tem que funcionar. O disco é um aperitivo perto das possibilidades que o palco/noite/e afins pode proporcionar. Últimamente ando meio desligado, e sem vôia para freqüentar determinados lugares. E junta-se a isso uma série de fatores: a idade, a falta de saco, a fumaça de cigarro, lugares que não são adequados a apresentações artísticas, os bêbedos, e mais do que isso, lugares que não estão nem aí para qualidade artística das suas propostas noturnas. E isso pode ser reflexo do público. Ninguém sabe quem veio antes, os donos de casa noturna colocando evento ruim porque o povo gosta ou o povo gostando de evento ruim porque a única coisa que tem são eventos ruins. Chapecó (e talvez uma série de outros lugares) vive uma intensidade de eventos meia boca. Se o povo tá ouvindo o som de britadeira, eles vão colocar o som de britadeira tocando dentro dos ambientes. Tudo pra ganhar dinheiro. Mas, sendo bem sincero mais vale um som de britadeira bem tocado do que as possibilidades sonoras apresentadas pelos sertanejos universitários, pagodeiros e afins. Sem ser taxativo ou preconceituosos porque acredito que exista boa musica em qualquer estilo. Mas não dá pra agüentar essa overdose de coisa ruim.

Nesse momento é comum a predominância do saudosismo próprio da idade. Bons tempos da República (Sônia e Chicão) que viam na noite não somente a possibilidade de ganhar dinheiro, mas se divertir com coisas legais. Tu imagina que o Chicão e a Sônia conseguiram convencer os gringo grosso chapecoense a montar uma boate embaixo de um dos póints sociais e comerciais da cidade. E que hoje depois de uma série de más administrações volta a ser transformado em loja. É triste isso, mas faz parte. O objetivo do texto não era ficar se lamentando até porque já vi shows legais em cada lugar e lugar bom com cada porcaria. Mas o interessante de um show é exatamente isso. Show é show. E quem gosta paga pra ver um produto que vem de bônus todos os plus que somente um show de róque pode te possibilitar. Semana passada fui ver dois shows. O primeiro da banda V-Yes que tocou no Café Brasiliano e o segundo da Cachorro Grande que tocou no 14 Bis.

 V-Yes – O primeiro deles aconteceu num café.

v-yes

O Café Brasiliano é um exemplo de alternativa ao que está acontecendo e que eu citei acima. Idéias legais que dão certo, ganha-se dinheiro (não muito) e promove a cultura de formas interessantes. E nesse sentido o Café Brasiliano ou café do Miguel como também é conhecido tem dado o exemplo. Apesar do espaço pequeno sempre está aberto a possibilidades artísticas. Já vi apresentações de poesia, lançamentos de livro, contação de história, teatro e shows acontecendo ali. Sensacional.

E o show que fui ver na última quinta feira é da “recém” surgida banda chapecoense V-Yes. Uma banda formada dentro do curso de medicina da Unochapecó. Isso mesmo todos os integrantes são acadêmicos do curso e conseguem conciliar os estudos com as possibilidades de fazer música. Ao contrário do que o Umberto Gessinger proporia em termos de nome (algo do tipo os Médicos Surfistas ou Medicina do Hawai), a banda optou por um nome mais criativo: V-Yes. Que gera uma série de interpretações, as quais não vou me arriscar aqui, mas enfim… A banda tem aproximadamente seis meses e recentemente lançou algumas músicas na internete.

Confira aqui http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=94875

ou aqui http://palcomp3.com/v-yes/

O show foi mesclando músicas próprias e músicas que fazem parte do universo de referências musicais da banda. Aí é que acredito ser o maio problema (na minha avaliação) que não gosto de muitas coisas propostas pela banda. As próprias músicas deles refletem um pouco isso que as referências representam. Acredito que misturam coisas dispares e que não sei se cabem num mesmo universo, talvez até caibam… Mas por não termos o costume de ouvir isso dessa forma acaba soando estranho. Fora essas observações inicias, a banda é legal e os guris tocam bem e cantam muito bem. Quando eu digo isso, de cantar bem, acredito que seja uma virtude tão importante a ser destacada e ao mesmo tempo tão escassa no cenário musical brasileiro. Músicos em geral que tocam bem, é mais fácil de encontrar do que vocalistas que tenham voz e personalidade. Como um dos focos da banda é essa mistura de MPB com rock esse fator é importante. Acredito que a banda esteja vivendo um processo de amadurecimento, e percebe-se duas vertentes muito fortes dos seus principais fundadores e compositores. Um o Tiago Flores é mais focado no rock inglês e bandas novas dentro desse universo (a exemplo de um estilo que ele já tocava na sua antiga banda Reticentes) e o outro, João Lajus é mais focado na MPB com propostas rítmicas abrasileradas. Na verdade é essa mistura acaba se tornando a grande característica do som da V-Yes. A banda é formada ainda por Leonardo Carbonera (Teclados e Voz) e Ronaldo Oliveira (Violão e Guitarra) e Rafa (bateria). O show aconteceu as sete horas da noite e reuniu um público legal e interessado na proposta. Cantando junto não somente nos covers, mas também nas músicas próprias. Além das músicas que estão no Ep eles tocaram músicas novas. E isso é legal perceber que eles estão se mexendo para mostrar algo. Mas muito mais legal do que ficar perdendo tempo lendo esse texto, o conselho é, ouça as músicas. Já citei os links acima, onde as músicas estão disponíveis. O meu destaque vai pra música “Pra onde é que foi” que ao meu ver equilibra tudo isso de forma muito legal. Uma baita composição de melodia fácil e letra legal. Tem tudo pra virar hit.

O segundo show (que eu fui ver na semana passada) foi da banda Cachorro Grande

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Pela septuagésima quinta vez a Cachorro Grande vem tocar em Chapecó. Não acho isso ruim, pelo contrário é uma oportunidade das pessoas de ver um dos melhores shows de rock nacional e acompanhar a trajetória da banda. Das duas últimas vezes que eles vieram acabei não indo no show por motivos exclusos a minha vontade, mas gosto de vê-los ao vivo. Já vi a cachorrada em vários momentos e situações e gosto de acompanhar esses processos evolutivos (inicio de carreira, meio de carreira abrindo pra banda grande (Oasis e Supergrass – que eu vi), ou fechando para banda pequena). E a constatação é que sempre foram shows divertidíssimos. Um dos últimos que tinha visto era do lançamento da turnê do disco anterior e achei eles meio cansados (ou eles ou eu). Coisa que não aconteceu no show de sábado passado, lançamento do seu mais novo cd intitulado “Cinema”. O show começou num pique desgraçado e foi assim até o final. Na verdade aqui em Chapecó eles sempre fizeram shows memoráveis e esse pode ser considerado um deles. Apesar de não achar o mais recente disco o melhor disco da carreira deles, é fácil identificar um processo evolutivo musical muito legal. A concepção musical que eles vem trabalhando é fácil de perceber. Esse disco novo apresenta perspectivas calcadas nas bandas inglesas da década de 90 que revigoram o rock inglês modernizando as perspectivas musicais. E nesse sentido o disco está mais pra Oasis do que para Stone Roses. As músicas estão mais consistente sonoramente. Os espaços preenchidos com sonoridades, ambiências e a psicodelia come solta. Tudo isso possibilitado graças a uma produção mais caprichada. E sim, tem grandes músicas que vão se incorporando a outras grandes canções que formam um repertório de show digno de qualquer mega banda.

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O show aqui em Chapecó foi isso. Algumas músicas novas e aquela lenha de sempre com as músicas velhas. Improvisos mil e situações mais “fru fru” pras meninas cantar junto (tem isso no disco novo). E a grande sacada da banda talvez seja esse equilíbrio entre o que é mais foda musicalmente e o que é mais light pra tocar na rádio (que não deixa de ter seus encantos). Um equilíbrio de informações necessárias para se manter na mídia e garantir a pisada. A grande novidade do show é o Beto Bruno tocando guitarra em algumas músicas o que acaba contribuindo para parede sonora e ruidosa que a banda propõe. Aquilo que no disco é mais light no palco sempre potencializa. Gosto de ver como determinadas composições se comportam ao vivo. Pena que não possamos ouvir o disco todo.

O nome dado ao disco, Cinema, é meio óbvio. Se observarmos a carreira da banda fica claro perceber que o lado cinematográfico sempre esteve presente nos clipes, mas também em algumas performances ao vivo que eu poderia me referir simplesmente como coisa de cinema. Sempre ressaltando que o Cachorro Grande é uma banda que consegue se manter dentro desse cenário medíocre da música nacional de uma forma digna. E que tudo isso que hoje eles desfrutam foi construído a base de muito trabalho e organização. Que sirva de exemplo de como uma banda deve ser gerenciada. Mesmo com todas as amarras que o mainstream proporciona. É legal perceber que ele tem certa liberdade e lidam bem com isso. No show de Chapecó diversas músicas mais clássicas dos primeiros discos foram executadas para delírio dos fãs que acompanham a trajetórias da banda de perto. Uma delas resgatada do primeiro disco: Fantasmas. Segundo Beto Bruno, um presente para o público chapecoense pela persistência e fidelidade (tinham várias pessoas que viram o primeiro show da Cachorro Grande em Chapecó há seis anos atrás). Com tantos elogios a cidade, fica fácil perceber que eles se sentem a vontade quando tocam em Chapecó e o público responde bem a proposta da banda. Certa vez conversava com o Beto Bruno e ele disse que fora as principais capitais o lugar que ele mais tocaram foi Chapecó. Eu lógico me sinto um pouco parte disso tudo (sem maiores pretensões) já que a primeira vez que eles tocaram em Chapecó foi na festa do programa Agito com Balalau que eu tinha na Rádio Atlântida. Um programa que durou três meses, mas que conseguiu em pouco tempo propor coisa legais. Gostaria de aproveitar os instantes finais do texto e sugerir ao Ilmo sr. Prefeito para que na próxima vez que o Cachorro Grande tocar em Chapecó (ou seja daqui uns três meses) seja feita uma cerimônia para repassar a eles a chave da cidade e um certificado de cidadão chapecoense.

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Link para baixar as versões x-clusiva-va-va-vas do Cachorro Grande no programa. Tenho gravado a entrevista que rolou na época, se eu achar disponibilizo numa próxima ocasião.

http://www.megaupload.com/?d=2ENWZ93O

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1 Response to “2 shows – V-Yes e Cachorro Grande.”


  1. 1 Neto maio 7, 2010 às 1:03 am

    Sou fã da V-yes, acho interessante a proposta da banda de misturar coisas que parecem não ter relação. Sou um fã de rock’n’roll, e de várias bandas clássicas, mas sou contra os “rockeiros” que detestam bandas como Los Hermanos porcausa dessa proposta de misturar algumas tendências. Só gostaria de fazer uma correção, o Rafael (baterista) é estudante de Direito, todos os outros fazem Medicina.
    E pra quem quer conhecer melhor o som da banda, sábado (08/05) eles estarão no 14 Bis, em Chapecó.
    Abraço


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