Gilmar Guerreiro + Seno + Billy the Kid e a reunião anos 80 do rock chapecoense.

  Fiquei emocionado ao ver que as pessoas entenderam a proposta do projeto Unocultural ao resgatar esses músicos compositores que fizeram história na década de 80 no oeste catarinense. O público lotou o auditório do Sindicato dos Bancários para uma noite de muitos encontros e reencontros. Muita gente daquela época que acompanhou tudo de perto, mas também um público novo, ligados a música ou não, mas que foram lá para ouvir a velha guarda do rock chapecoense cantar e contar suas histórias. Histórias de uma época onde as coisas com certeza eram mais difíceis. Não era como hoje que quem canta ou joga futebol é visto como possibilidades de ficar rico pelos pais que acabam incentivando. Naquela época ser rockeiro ou musico trazia uma carga negativa. Ainda mais em se tratando do bom e velho oeste em que as pessoas (os colonizadores) que aqui vieram e se estabeleceram, tinham em mente única e exclusivamente a idéia de que só o trabalho enobrece o homem. E foram esses rockeiros que romperam as barreiras conceituais da época e trouxeram novas perspectivas para cidade. A percepção disso tudo é muito simples, se hoje tem um movimento artístico musical voltado ao rock é graças a esses malucos que lá estavam lá desbravando o velho oeste e lutando por um espaço. Se hoje temos alternativas e possibilidades é porque em algum momento ali na década de setenta e 80 (ou um pouco antes disso) alguém pensou que podia propor uma pequena revolução. O intuito dessa noite de rock dos anos 80 era fazer esse resgate. E por isso que foram convidados essas três ilustres e ao mesmo tempo desconhecidas figuras para propor uma noite no mínimo diferente.

Gilmar Guerreiro

A expectativa toda estava voltado a presença do Gilmar Guerreiro que desde 1986 não se apresentava em Chapecó ou em qualquer outro lugar. Os ossos do oficio fizeram com que ele simplesmente abandonasse os palcos e fosse morar em Ponte Serrada. Aqui perto, mas ao mesmo tempo tão distante. Dos três, ele é o único que não se intitulava rockeiro e no show até brincou dizendo: “quando eu sair daqui e pegar o fdp que disse que eu era roqueiro e me incluiu nesse projeto”. Independente do som do Gilmar Guerreiro incluir outras possibilidades como a MPB e até mesmo a música tradicionalista ou regional, ouso dizer que sim, o seu discurso, letras e postura é rock and roll. Dos três é o que tinha o trabalho mais reconhecido na época. Nada que fosse suficiente para manter e estabelecer uma carreira artística. Os tempos eram outros e as alternativas eram escassas. Se hoje é difícil tocar e concorrer com a mídia voltada a sertanejos universitários, pagodes e afins. Imagina há 20 anos atrás. Mesmo assim ele teve um expressivo sucesso radiofônico. A música “Chimarrão” era tocada a exaustão nas rádios locais. Logo depois virou polêmica, a música foi censurada e isso tornou a música muito mais conhecida.  Lógico que estamos falando de explosões regionais. Nada que pudesse respingar ou gerar o status necessário para mantê-lo na carreira artística. Coincidentemente foi depois disso que ele abandonou os palcos assumiu a carreira de advogado e desde então se apresentava somente em rodas de amigos. Foi numa dessas rodas de amigos cerca de dois anos atrás que eu vi todos eles reunidos na cada da dona Iracema (mãe do Billy) que, diga-se de passagem, estava presente no show. Até brinquei com ela perguntando o que ela estava fazendo num show de rock e ela sempre muito simpática respondeu que o filho dela ia se apresentar e ela estava ali para ver. Junto com mais duas amigas agüentaram firme as quase duas horas de rock and roll. Foi a partir desse encontro que toda vez  que encontrava o Billy ou o Seno na rua sugeria a possibilidade de juntar essa galera. A oportunidade surgiu dentro de um projeto que tem essa “pretensão” de propor discussões culturais trazendo artistas de fora, mas também valorizando a cultura local apresentando sempre em contra partida as manifestações artísticas da região.

Voltando ao show do Guerreiro, ele subiu meio tímido no palco, mas aos poucos foi se soltando e fez questão de tocar várias músicas de sua autoria. Foi irônico e brincou com o publico presente, mas mostrou que ainda toca e canta como antigamente. “Eu vim aqui para dizer “como era terrível a musica dos anos 80 no que tocava a nossa parte.” Afim de enfatizar suas raízes regionais, tocou com um pala e uma bandana na cabeça e enfatizou, não estou aqui pra botar banca, eu sou é cara de pau mesmo. Com certeza uma oportunidade única.

Seno

O Seno foi quem abriu a noite. Apresentei ele dizendo que o nome da banda Repolho surgiu por causa da banda que ele tinha na década de 80 chamada A Face. Lógico que o bom humor característico do povo do oeste atribuía a banda o nome de alface. E a gente acabou brincando com isso também. Via shows da banda A Face na década de 80 e achava legal esse universo onde as pessoas acreditavam que podiam tocar suas próprias composições. O Seno dos três foi o que continuou na cidade tocando eventualmente ou se apresentando por aí em rodas de viola com os amigos ou algum evento especifico. Sempre que surgia uma oportunidade lá estava ele com o seu violão tocando suas composições. Na época foi o único que não registrou o seu trabalho em gravações e isso acaba sendo complicado porque as composições acabam se perdendo. Recentemente (cerca de uns dois ou três anos atrás) Seno reuniu uma banda formada por alguns amigos, Dinho (guitarra) e Juca (no baixo) ambos da Banda Encruzilhada, e o Zubaid na bateria, e registrou algumas dessas composições. Ainda não lançou esse material, mas esta ali com uma gravação muito legal que precisa ser divulgado de alguma forma. No show ele mesmo disse que esta numa nova fase e tocou algumas canções novas, mas fez questão de registrar a presença dos anos 80 cantando coisas daquela época e dizendo olha como a gente pensava naquela época em tom de ironia.

Billy e a Diretoria

Para encerrar noite Billy the Kid, Billygudo, Ficagna ou o Billy do velho oeste como costuma ser chamado, tocou o terror no baile acompanhado por Bellei na bateria, Avatar no baixo e Paulinho Pasqualli na guitarra e na gaita de boca. Eles fazem parte da banda diretoria que vem acompanhando o Billy nas apresentações por aí. O Billy talvez seja o mais rockeiro e dos três ele ficou afastado de Chapecó um tempo mas estava sempre por aí num intervalo de feriado e outro e sempre fazendo uma barulho com a piazada. Hoje em dia mora em Chapecó e continua tocando a fazendo suas composições. O show foi legal. Divertido pra caramba e pelo fato de ter a banda possibilitou explorar melhor alguns ritmos. E ali ele tocou uma pouco de tudo, desde Beatles até Tim Maia.  Na verdade o que eu mais senti falta no show dele, foram as composições autorais. O próprio Gilmar Guerreiro abriu o show cantando “Cantador”, uma música da composição do Billy.  Essa ele ficou devendo. Dos três é o que esta na ativa. Na época, gravou com o grupo Nozes um compacto em vinil em 1978. Depois disso fez alguns registros. Dos três foi o único que eu não vi se apresentando na década de 80 até porque ele é um pouco mais velho. Mas com certeza é um dos pilares que mobilizava essa galera e que de certa forma mobiliza até hoje. Se não fosse o Billy não sei se sairia o show. Foi ele que contatou o Guerreiro e convenceu o Seno a tocar. Fica aqui o meu agradecimento a essa galera. E que a partir disso eles comecem a pensar nisso como possibilidade de eventualmente tocar ou gravar esse material para que as futuras gerações possam ouvir e entender melhor de onde que vem essa forte relação com o rock na região.

Billy e Guerreiro depois do show

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2 Responses to “Gilmar Guerreiro + Seno + Billy the Kid e a reunião anos 80 do rock chapecoense.”


  1. 1 N setembro 9, 2010 às 2:05 pm

    Uma vez o Gilmar Guerreiro falou uma sobre Chimarrão Espumoso que achei muito engraçado, foi algo assim: “Fiz uma música nativista, que acabou sendo gravada a contragosto como reggae, e agora vcs tão aqui me dizendo que é rock?!” hehe

    Ninguém tem um link pra Chimarrão Espumoso?

  2. 2 Graziela Colpani março 5, 2015 às 2:31 am

    Esse som é fantásticooooo


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