O que fazer num domingo de primavera fim de tarde em Porto Alegre?

Grande presença como diriam os gaúchos. O dia  amanheceu bonito com céu azul radiante e a possibilidade de ver um beatle em Porto Alegre há poucos instantes de se realizar.  É engraçado, mas Porto Alegre tem uma tradição roqueira muito intensa. E nesse sentido a presença de Sir Paul McCartney na cidade foi um marco do rock na historia da cidade. E algo que não tem muita explicação mesmo. Emoção a flor da pele e momentos extremos de expectativa. Emoção redobrada aos colorado que puderam ver o gigante da Beira Rio abrir suas portas para o maior dos maiores de todos os tempos. Era ele ali respirando o mesmo ar e compartilhando com o publico um pouco da sua genialidade musical de mais de 50 anos de carreira.

Fomos ate o estádio e  já eram quase seis horas. Demoramos para entrar e pudemos conferir o melhor de todos os fins de tarde no beira-rio. Emblemático no mínimo. A noite deu os primeiros sinais de que tudo aquilo poderia ser inesquecível. A lua* do gato da Alice supervisionava tudo de forma muito discreta numa noite que prometia muito mais do que fortes emoções num estádio que urge por grandes conquistas e que já presenciou tantas glórias. Uma aura positiva que paira sobre a cabeça das pessoas. Pisar no gramado do Beira Rio no é uma benção. Ver o Paul em Porto Alegre é algo que não tem explicação.

*A luz cinérea acontece poucos dias antes e depois da Lua Nova, quando a maior parte do hemisfério noturno da Lua está voltado para nós. Como a Terra reflete muito mais luz que a Lua acaba iluminando o satélite por reflexão. E embora essa luz seja muito mais fraca que a solar, a porção escura da Lua acaba se tornando visível por contraste. (fonte: http://www.zenite.nu/)

Vou listar em itens. Fica mais fácil de escrever e talvez mais fácil de entender tudo (ou quase tudo) o que aconteceu.

Sim meus caros amigos. Com vocês sir Paul McCartney!!!

Não e a toa que ele é quem é. Depois da morte de John, Paul entrou numa paranóia com segurança. Mas vê-lo saindo pela porta de frente do hotel sem se importar muito ou ficar fazendo pose e algo digno de sir Paul McCartney.

Veja o video aqui:  

http://www.youtube.com/user/paulmccartney

Sensacional é perceber que no meio da platéia teve uma menina que pedia para fazer uma tatuagem com o autografo dele. Ele mandou as duas garotas subir ao palco. Algo totalmente inédito (nas apresentaçãoe dele) e fora dos padrões. A menina em prantos recebeu a bênção dos deuses e foi contemplada. Mais uma vez o ufanismo gaúcho fez com que gerasse segundos de constrangimento quando uma das meninas disse que era de Florianópolis e foi vaiada. Paul olhou perplexo e disse o que esta acontecendo??? O que tem Florianópolis? Eu sou de Liverpool! Tentando contornar a situação. Nada que comprometesse muito.

Paul in português.

Muito respeito ao público e inúmeras frases em português. E que elegância, Paul McCartney fala tão bem em português. Muito melhor do que muita gente por aí. Muitos “obrigados”, “Mas bah tche!” e “tri legal”. Ele incorporou mesmo. Saiu ate um “valeu colorados”. Poucos entenderam e foi discreto mesmo, como deveria ser.

Ressaca dolorida.

Estou sem pernas, braços e costas. A idade acaba com o ser humano. E ver Paul com 68 anos fazer o que fez é vergonhoso para os meus 38 anos. Impressionante ver grandfather Paul fazer um show de três horas sem pedir água como ele mesmo falou numa entrevista recente. Vi ele na entrevista e fiquei pensando, nossa ele envelheceu super bem. Mas envelheceu. No show isso não parece. O que vemos é a vitalidade de um menino feliz se divertindo com o que faz. No palco ele cresce e vira um monstro. O melhor de todos. Com certeza o melhor.

Graforréia Xilarmônica

Pra mim a banda ideal pra abrir o show do Paul. Mas tudo bem. Fui com o Birck no show. Tenho uma versão do show do Paul gravada com backing do Marcelo Birck cantando tudo. No show encontrei o Alemão, batera de Grafo e encontrei o Carlo Pianta. Olha que ver o Carlo num show é difícil. Só o Paul mesmo pra tira-lo de casa. O Frank eu não vi, mas vi o filho dele o Erico junto com a mãe Dani. A ultima vez que eu tinha visto, ele era pequeno. Lembro do Frank dizendo que ele já sabia o nome de todos os Beatles e levava os CDs para ouvir na escolinha. Agora ele está ali, uma miniatura do Frank Jorge indo ver o Paul em Porto Alegre.  Momento bonito. E que pode ter certeza aconteceu com muitas famílias. É legal ver um show que possa contemplar uma aura tão positiva assim juntando várias gerações clamando pelo mesmo objetivo.

O fim do rock gaúcho.

O rock gaúcho estava presente. Se explodisse o estádio (explodiu de emoção), mas se explodisse literalmente acabava coma música gaucha. 100% dos músicos das bandas estavam lá. Quem é que ia se dar o luxo de perder isso. Momento único e solene.

Roberto Carlos.

Se é ou não é verdade, não interessa. Era boato e virou lenda. O fato de que Roberto Carlos estava lá conferindo tudo de perto. Possivelmente que sim. Talvez não. Provavelmente não. Mas vai saber…

Ponto negativo.

As filas desorganizadas. Estávamos literalmente num nowhere-fila. Algo sem organização alguma a fila de lugar algum não tinha inicio e não tinha fim. Surreal. As pessoas foram chegando e todo mundo sabia que estavam ali, mas não sabiam onde começava e onde terminava a fila. Quem chegou primeiro ninguém sabia. De onde eu vim e pra onde eu vou também não. E olha que isso era pergunta recorrente por quem passava e queria saber como entrar no estádio. E num espaço de tempo que durou horas tudo acabou se transformando num lapso temporal que ficamos estáticos no tempo. Tudo bem, no final deu tudo certo. Era dia de festa. Não tinha stress e nem cansaço que iria estragar a festa.

Ufanismo gaúcho

A síndrome de povo gaúcho superior que não é compartilhada por todos, fez com que um: “a!h eu sou gaúcho” ecoasse. Paul muito gentil fez questão de retribuir. Mas é bom deixar claro que eu não sou gaúcho e não me importei muito com isso. Mas sei de um monte de gaúchos que se envergonham disso. mas tudo bem. no show do Paul vale.

Ele tem o Paul pequeno.

Só pode. Fiquei pensando em tudo isso depois do show. Na verdade ainda estou perplexo. O cara é simplesmente um “Beatle”. E isso já diz tudo. Pensar no show e lembrar de Sir Paul McCartney no auge dos seus 68 anos fazer o que fez, não tem como explicar um ser tão abençoado e superior assim. Tudo na vida do cara é foda. E chegar com essa idade cantando desse jeito e tocando desse jeito. Algum problema ele tem que ter. Mau hálito ou vai ver que ele pinta o cabelo.

Sobre o show.

Não tenho o que dizer. Muita gente disse tudo. Vou colocar os links de alguns textos que eu achei legal.

http://www.oesquema.com.br/conector/2010/11/08/paul-em-poa.htm

http://collectorsroom.blogspot.com/2010/11/arrepiante-sim-com-letras-garrafais.html

fotos do show:

http://www.flickr.com/photos/jplages/with/5159281501/

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