Júpiter Apple lança projeto pelo Unocultural

Júpiter é um artista multifacetado. Leva ao pé da risca o que podemos entender como artista de verdade. Um artista que pensa a música, mas também pensa a imagem, a logo, o slogan, o filme, a fotografia… Tudo acaba imerso nesse universo que a musica pode proporcionar. Sensações e sentimentos que se modificam o tempo todo. A necessidade que ele tem de se expressar, faz com que, além do projeto principal que é o Júpiter Maçã, ele crie ramificações dos seus personagens e personas e brinque com conceitos. Sua musica acaba refletindo estados de espírito. Se a “droga” (!?) ajudou a perceber o mundo de forma diferente. Depois de certo tempo acaba sendo uma pedra no calcanhar. É uma relação de amor e ódio, mas com certeza corrosiva. Júpiter esta numa fase muito boa. Criativamente e de saúde. Ele se cuida e procura ter um carinho especial pela sua obra. Os shows que outrora foram regados a possibilidades entorpecentes e psicotrópicas mil, hoje se apresenta dentro das mesmas perspectivas sensoriais, mas movido a café, pizza ou panqueca doce com sorvete. E não estou metaforizando. Estou sendo fidedigno a realidade. Pra mim esses são os melhores shows. O show que tu vê o artista e domínio da sua obra tinindo de maneira muito legal em estado de consciência pura. Quando dominamos esses aspectos sensoriais, temos a certeza de que o que estamos fazendo pode atingir as pessoas de maneira legal e positiva.

Pois bem, é a segunda vez que Júpiter (Maçã ou Apple) se apresenta no projeto Unocultrual. Ano passado proporcionou ao público uma inversão total, densa e tensa no repertório. O show foi um mergulho vertical, quase uma apneia. (escrevi algo aqui: https://acb2.wordpress.com/2010/09/25/jupiter-maca-em-dose-dupla-em-chapeco-parte-01/)

Dessa vez ele resgata o movimento artístico de Hamburgo de 62 que ficou conhecido porque Astrid Kirshner “criou” o corte de cabelo playmobil dos Beatles. Mas que tinha outras idéias obscuras que refletia na moda, na fotografia e nas artes em geral. E nesse universo ainda obscuro que Júpiter se apóia e recorta um frame e transforma num show repleto de referencias. Hamburg Black Cats é o nome do projeto (ou banda), mas que trabalha releituras de grandes sucessos da sua carreira. Acompanhando por uma batida pulsante e quase industrial em alguns momentos. Um lance totalmente mecânico acompanhado por um baixo (Felipe Faraco) marcado e dançante e uma bateria acústica tribal (Clegue França) que ajudam a formar essa massa sonora para que Jupiter interprete suas canções apresentando novas possibilidades. Os mais puritanos talvez queiram ver os clássicos lido como clássicos. Mas ele mesmo diz. Tem o show do Júpiter Maça que faz isso, essa é uma nova possibilidade, feito especialmente para inferninhos. Um formato de banda pocket. Uma curtição que Júpiter compartilha com o público. Júpiter não descarta a idéia de compor um repertório pra esse projeto paralelo.

Hamburg Black Cats no SESC em Chapecó.

O local do show lotou rápido. Os ingressos foram disputados, mas as 130 pessoas que puderam comparecer no teatro do SESC num fim de tarde com chuva, neblina e um pouco de frio, puderam perceber o calor de uma apresentação vermelha. Ao fundo a projeção do clássico do Murnau, Nosferatu. E o texto do filme parece fazer sentido no contexto estético do projeto. O show que hora era embalado por essa batida pulsante, eletrônica dançante, preenchia regiões abissais do ser humano quando interpretava de maneira suave e doce algumas canções conhecidas do repertório como “Litlle Raver” e “Beatle George”. “Mademoiselle Marchand” virou uma micro versão em reverencia ao mestre Gainsburg.

Sempre que o Júpiter vem a Chapecó, aproveito para renovar minhas conversas com ele a atualizar as novidades, as vezes nem tão novidades assim. As musicas mixadas em Abbey Road e o vídeo no Pere Lachaise todo mundo já sabia. Mas sobre o beijo em Serge Gainsbourg e o clip de Mademoiselle Marchand não. Tive a oportunidade de ver o clip e confesso que ficou sensacional. Não posso revelar detalhes, porque no meu contrato assinado antes de ver o clipe, tinha uma cláusula que dizia que eu seria autuado se revelasse algum detalhe.

Também conversamos coisas como, a possibilidade de roubar a carrocinha de panquecas da Cantina Galpão, o filme biografia de Serge Gainsbourg (que é muito legal), clips, filmes, discos do Stereolab. Também aproveitamos o tempo livre para fazer o corte final do clip de “Urban blue/ghotic Love” nova musica de trabalho que esta para ser lançado em breve. Também conversamos sobre a possibilidade de um longa com dois diretores alternando possibilidades estéticas, hora francesa, hora italiana.

O Júpiter é um quebra cabeça de um milhão de peças. Aos poucos vamos tentando montar e entender tudo. O legal é que ele mesmo faz questão de brincar com isso tudo e vez ou outra embaralhar tudo. Quando achamos que estamos pisando num território firme. Ele nos derruba. Como faria Borges com suas Ruínas Circulares.

Jupiter Estúdio A - Unowebtv

Enfim… confira o programa Estúdio A da Unowebtv,  com estréia do novo projeto:

http://www.unochapeco.edu.br/unowebtv/play/hamburg-black-cats-jupiter-apple-01

http://www.unochapeco.edu.br/unowebtv/play/hamburg-black-cats-jupiter-apple-02

http://www.unochapeco.edu.br/unowebtv/play/hamburg-black-cats-jupiter-apple-03

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