Noite Senhor F afirma espaço independente em Porto Alegre

O site Cult News, de Porto Alegre, publicou entrevista com o editor de Senhor F, também criador da Noite Senhor F. Com produção-executiva de Brisa Daitx, e em parceria com o Opinião, o evento é realizado mensalmente em Porto Alegre, sempre aos domingos, às 21 horas. Na entrevista feita por Bianca Rosa, Fernando Rosa fala da origem da Noite Senhor F e das dificuldades atuais para organizar shows, entre outros temas.

Cult News – Qual o propósito da Noite Senhor F?

Fernando Rosa – A principal delas, abrir espaço para as bandas novas. A Noite Senhor F surgiu em Brasília, em 2001, com esse objetivo. Mas espaço com qualidade, palco bom, casa confortável. Nesse sentido, a parceria com o Opinião é fundamental. Graças “ao rock” ainda existe gente ligada em cultura. A primeira etapa, iniciada em dezembro do ano passado, foi de afirmação do evento, do conceito, do dia, do horário. Agora, acredito que estamos passando para a segunda fase, que é a quantitativa. Imaginamos que em setembro, outubro e novembro teremos casa cheia, ou quase isso. As atrações apontam para isso, pela identidade com o evento e com o público que tem comparecido às diferentes “Noites”. Agora, em setembro, temos El Mato a Un Policia Motorizado, a banda mais importante do novo rock argentino. Em outubro, Apanhador Só, a grande banda gaúcha atual, com os paulistamos Garotas Suecas, também destaque independente nacional. E, em novembro, Móveis Coloniais de Acaju, de Brasília, a maior banda independente do Brasil. Zelamos pelo conceito do evento, corremos riscos, mas acredito que construímos um espaço legal para o rock e a música jovem gaúcha.

Cult News – Qual o critério na escolha das atrações?

Fernando Rosa – Olha, temos uma espécie de curadoria informal do evento, eu, o Brisa Daitx, que é o produtor-executivo da Noite Senhor F, o Gabriel do Opinião, o Titi e diversos amigos que nos indicam e sugerem artistas e bandas, ao que adicionamos um pouco de casualidade e simpatia pelo inusitado. Mas o central que orienta a seleção das bandas é a aposta em novos artistas e bandas, que fujam do óbvio, do mais do mesmo, das velhas fórmulas. E temos acertado, a exemplo de bandas novatas como The Tape Disaster, Sociedade Bico de Luz, O Curinga, Catavento de Bolso, entre outras, e artistas individuais como Ian Ramil e Diego Lopes. Isso seria muito mais fácil se as rádios, por exemplo, estivessem mais abertas ao novo, como várias delas já foram, e menos aferradas ao gosto mais conservador.

Cult News – A intenção é ser um evento nacional?

Fernando Rosa – Ao contrário, a idéia é interiorizar o evento, fazendo da Noite Senhor F uma plataforma de circulação independente para o Rio Grande do Sul. Estamos trabalhando para isso, em parceria com o Opinião, buscando casar a Noite Senhor F de Porto Alegre com as principais cidades do interior. Acredito que ano que vem avançamos nessa direção, o que dará uma dimensão cultural importante para a Noite Senhor F. A Noite Senhor F hoje tem sua sede principal em Porto Alegre, no Opinião, onde pretendemos manter. O Sul, e Porto Alegre de forma especial, é um marco de conexão, e o Opinião é uma referência estadual, regional, nacional e para o Mercosul.

Cult News – Qual o maior desafio que você encontra em produzir um evento como este, principalmente em uma cidade como Porto Alegre?

Fernando Rosa – O principal é organizar eventos nesse período de entresafra, de mudança de padrão tecnológica, de novas relações das pessoas com as diferentes mídias. Vivemos um tempo quase que de reeducação da relação entre artista e público, que exige muita atenção dos produtores. É preciso ser mais criativo, ter eventos com conceitos claros, respeitar o “teu” público” em tudo, horários, qualidade do som, ambiente da casa e até mesmo em questões “externas” com a segurança pública. As facilidades para “ficar em casa” são muitas e atrativas, enquanto a rua é sempre um risco, especialmente em relação à violência, como ocorre na Cidade Baixa. Mas não somos daqueles que crucificam o público de Porto Alegre, como se ele fosse diferente de outras capitais do país. A responsabilidade pela construção de uma cena cultural e musical é de todos.

* Entrevista originalmente publicada no site Cult News –  www.cultnews.com.br

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