Primus Sucks!

Primus é uma banda que não tem definição (rótulo). Ou tu gosta e entende o que eles fazem ou fica difícil definir. Já vi diversas tentativas de definições entre “polca psicodélica”, “funky progressivo” e por aí vai. A verdade é que o Primus é uma mistura de muitas coisas. É nessa mistura de elementos peculiares que se materializa a sonoridade da banda de forma única. É funky, progressivo, psicodélico, hora melódico, hora rítmico, em alguns momentos esquisito, dissonante, misturando de tudo um pouco, com letras extremamente lisérgicas e nonsese. Tudo isso regados a performances únicas e um “humor interiorano” de San Francisco (na bay área).

O show do Brasil foi curto pra quem é fã. Quase uma hora num repertório de 11 músicas, mas tudo pareceu muito rápido. O set list contou basicamente com musicas do último disco intercaladas com um repertório de “hits” de todos os discos. O único disco que não foi contemplado foi o “Antipop”, mas com certeza estava ali em essência.

No inicio do show ”Those Damned Blue-Collar Tweekers” do disco “Sailing the Seas of Cheese”, uma pedrada no ouvido, que equilibra o lado mais psicodélico experimental em contrapartida ao lado mais pesado. Definindo a estética de como essa dinâmica aconteceria num contexto mais geral do show. Uma ótima escolha. Na seqüência “Pudding Time” do primeiro álbum de estúdio da banda (Frizzle Fry), que animou o público que cantava o refrão e respondia de forma explosiva: “It’s pudding time children!!!”. Depois disso a banda foi intercalando musicas do disco mais recente com os clássicos da banda. Lógico que pra quem é fã sempre vai faltar muito coisa… e nesse sentido o show foi muito curto. Serviu para matar a vontade, mas esperamos uma turnê pelo Brasil, nos próximos anos. O festival provou que a banda tem público.

O show do Primus é divertido, eu acho os solos engraçados e tudo se torna uma grande brincadeira, divertida e animada de Les Claypool e cia. Desde a decoração com dois astronautas infláveis, até o trocadilho nos cubos Marshall onde eles modificaram a logo retirando o “Hall”, deixando somente escrito “Mars”. As projeções acompanham o ritmo debilóide da banda. Hora com animações, hora com imagens gráficas e lisérgicas relacionadas a música. Sim, se não tomar cuidado pode derreter o cérebro dos desavisados.

Num determinado momento Les Claypool olha para o público e pergunta:

– …então esse é o Brasil! Nunca estive aqui antes… eu tenho que perguntar: quantos de vocês se sentem como se estivessem falando com um gato? sim?! não?! talvez?! Bom, nós somos o Primus e hoje o nosso trabalho é esse: Ser o Primus no melhor de nossas habilidades”

O legal do Primus é isso. Que apesar de parecer exibicionismo, eles são grandes músicos, mas se divertem muito com essas esquisitices e nos proporcionam sonoridades única. Les Claypool toca de forma peculiar e tudo nas mão dele parece tão simples e fácil de ser feito. Les Calypool é o líder, ele que compõe, cuida da proposta estética da banda e tudo mais. O reflexo disso são os discos solos dele, que acompanham essa mesma levada. Mas não tem como não destacar a presença enigmática de Larry Lalonde, que consegue equilibrar, solos, levadas e ruídos que complementam isso tudo.

Lês claypool comentou: ” esse é Jay Lane, eu sou Les Claypool, mas esse cara aqui… é o poderoso Larry Lalonde. Larry não fala muito a não ser quando está muito bêbado. mas ele se comunica com as pessoas através de seu instrumento de seis cordas que geralmente é uma Telecaster Thinline mas que hoje, pra você meu amigo querido, é uma Fender Mustang vermelha. Então agora deixo vocês com os “wiggly fingers” do senhor Larry Lalonde.”

Na bateria a presença de Jay Lane que era da formação original (bem no inicio da banda), mas não havia gravado nenhum disco. Pra mim, da formação original é o Tim Herb que gravou todos os primeiros discos (menos o Brown álbum e o Antipop – gravados pelo Brain que explora sonoridade diferentes e o jeito de tocar bateria muda um pouco, a pegada é outra e as características sonoras do instrumento também.) Recentemente, Tim Herb, retornou a banda e fez alguns shows, é uma pena não ver o show com ele na bateria. Mas com  Jay Lane assumindo as baquetas, as características sonoras não altera muito e ele toca muito parecido com o jeito do Tim Herb.

A banda vinha de um hiato de mais de dez anos sem lançar álbuns novos. Esse ano eles lançaram : Green Naugahyde. O legal é que é um disco do Primus. Tu ouve e pensa. É Primus. Está tudo ali. Do jeito que sempre foi. E ouvindo as músicas no show elas se encaixam perfeitamente no repertorio. Equilibrando momentos mais agitados e enérgicos com viagem profundas e abissais ao universo totalmente distinto de tudo o que você já viu ou ouviu falar.

Em alguns momentos o público ensaiava um coro de “Primus sucks!!! Primus sucks!!!”, que nada mais é do que uma brincadeira bem humorada. Um carinho dos fãs (ao inverso) com a banda. Reza a lenda que o Primus estava numa das suas primeiras apresentação nos idos dos anos 80, (e se hoje a banda ainda soa estranha, imagina naquela época…) e alguém da platéia gritou, Primus Sucks!!!. Les Claypool respondeu de maneira bem humorada que lhe é peculiar, yeah nós somos o Primus e somos uma merda. Virou piada e grito de guerra nos shows.

Confira o show na integra aqui:

Falando em derretimento de cérebro.

O ponto negativo do show do Primus fica a cargo dos comentários esdrúxulos dos jornalistas (a mídia especializada) que deveria ter outra profissão ou lidar com outro segmento. Porque a quantidade de bobagem que determinados “entendidos” escrevem em três parágrafos, chega ser patética. Sei que não é obrigação do jornalista saber tudo, mas pelo menos pesquise e não fale bobagem. Vou citar esse texto falando do Primus, mas vi muito erro, de muito texto falando sobre as bandas, colocando nomes errados, falando de músicas que nem sequer foram tocadas e por aí vai.

Vamos por partes, o texto começa:

01 – “Travestido de Jonny Depp” isso é cumulo da metáfora mais sem fundamento. Como se dividissem o mundo antes e depois do Jonny Depp. Tudo bem o público só ter referencias rasas, mas isso vindo de um jornalista… soa patético… demonstra um total desconhecimento do assunto abordado. O Les Claypool sempre brincou com esse visual vintage e o Jonny Depp nem existia quando o Primus começou.

02 – Dizer que o Les Claypoll é narcisista é foda. Ele é bom, e brinca com esse virtuosismo que lhe é peculiar. Ele toca baixo como se estivesse escovando os dentes e nos show isso fica claro. Quem ouve os discos quer ver ele fazendo isso ao vivo. E ele faz com uma maestria e com certeza, se diverte com isso. Não fica fazendo pose, pelo contrario…

03 – Dizer que a banda não empolgou é a típica observação de quem não conhece a banda e pelo visto sequer viu o show.

04 – Mas o pior esta sempre por vir, o dito jornalista se refere a banda como um quarteto. É pra acabar. O cara viu quatro pessoas no palco. O Primus é um Power trio, e sempre foi.

Enumerei algumas, mas no texto tem inúmeras idiotices. Você que é fã do Primus veja as barbaridades aqui e sinta-se a vontade pra xingar: http://multishow.globo.com/platb/swu-2011/2011/11/14/primus-se-esforca-muito-para-empolgar-plateia/

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