Repolho e Graforréia. Foi sexta feira, dia 23 no Premier.

Foi legal. Sempre me impressiona ver as pessoas cantando e se divertindo junto nos nossos shows. E pensar que tudo começou com uma brincadeira. E a brincadeira era rir de nós mesmos. Brincar com esses regionalismos que em muitos momentos são vistos e entendidos como sinônimo de vergonha. Continuamos exercitando esse habito. Sempre digo que nos divertimos muito e quando vejo o público se divertindo também, nos motiva a tocar cada vez mais (pelo menos uma vez por ano – He He ). Pra mim o ponto alto do show foi quando perguntamos ao público. Não tem sentido tocar reggae em cidade que não tem praia. Vocês preferem reggae ou polenta??? e o público respondeu: Polenta! Polenta! Sensacional. É por isso que eu amo essa cidade.


A apresentação do Repolho contou com a participação da banda John Filme e foi bem legal. Foi uma idéia de colocar os guris tocando uma música da banda Repolho que surgiu ainda no Grito Rock. Sempre brincamos com a idéia de que um dia a gente vai convidar uma banda pra tocar as músicas o Anderson Birde vai cantar e eu e o Demétrio vamos ficar no palco jogando truco. O legal é que a John filme é uma banda instrumental, mas tem uma relação obscura as vezes clara com a banda Repolho. Esclareço pra não deixar confuso. O Akira sempre participou da banda fazendo participações nos shows desde pequeno e hoje é o atual baixista. A criança falando “essa é a banda Repolho” na música de Chapecó do primeiro disco, e a introdução do Uêra-Uê são gravações do Akira de quando era pequeno. E o Nando é a criança que aparece atrás do sofá na contracapa do primeiro disco. Contei o segredo. Todas as três fotos da contra-capa (vol.1, vol.2 e vol.3) são tiradas propositalmente na mesma sala da casa do Juka, pai do Nando (também conhecido como Marco Antonio). Lógico que o convite não vem somente por isso. Vem pelo fato de que eles estão tocando de maneira muito legal com uma proposta muito bacana. Sobre o Repolho é isso. Gostamos do show, nos divertimos muito e agradecemos a todos que foram.
A Volta do Quarteto Fantástico: Simplesmente Supersônica!!!


Andava eu pelas ruas em Chapecó ainda na década de 80 com meu walkman e ouvindo a demo “Com Amor, Muito Carinho” da Graforréia. Ficava imerso num repertório que achava sensacional e ficava pensando: será que um dia as pessoas vão conhecer isso? Um tempo depois fui entrevistado para o livro sobre a Graforréia intitulado “O Que Vocês Perderam” de Andre Vasquez. Ele perguntou: você acha que a Graforréia tem potencial comercial??? Respondi categoricamente que: Sim. As músicas são muito boas e podem virar hits.  Uma das provas disso veio com as regravações que o Pato Fu fez da música “Eu” e “Nunca Diga”. A música “Eu”, não só impulsionou as vendas do disco Ruído Rosa como é considerado o maior hit do Pato Fu.
Os shows da Graforréia em Chapecó, podem ser um outro exemplo para entender essa veia pop de transformar as cenas mais nonsense e as situações mais estapafúrdia em hits. O público canta o show inteiro. Estava em frente ao palco e constatando tudo isso. Tudo bem, “Amigo Punk” que se tornou um hino, algo que transcende toda e qualquer perspectiva ao se compor algo, mas o público canta junto todas as músicas independente de ter tocando na rádio ou não.
Outro elemento legal e imprescindível,  é que esse show marca a volta do Marcelo Birck pra banda. Desde a década de 80 que ele não era mais um ser supersônico xilarmônico. Chegou a fazer algumas participações especiais num disco aqui, num show ali e no show clássico que teve em São Paulo em 2000. Mas fora isso ele sempre se manteve nos seus projetos paralelos, entre Atonais, Aristóteles e discos solos. Pois bem essa volta é emblemática porque resgata a dupla de compositores Frank Marcelo/Marcelo e Frank. Os dois são responsáveis por cerca de quase todo repertório da Graforréia. Em 2000 motivados por um show que aconteceu em Chapecó, eles resgataram a parceria e compuseram novo repertório. Um repertório que trouxe novos clássicos como “Pau na Bucetinha”, “Bugiu” ou “Quase 40”,  “Rock com Passeata” entre outros. (Rock com Passeata é uma das canções do EP a ser lançado em breve) “Vamos todos a passeata reivindicar por melhores condições, somos uma turma muito unidas estamos cheios das boas intenções… Drible da vaca…”
Restabelecida a parceria a idéia é gravar disco novo com composições novas. No show eles executaram essas composições novas. Um disco  inteiro de inéditas esta prometido até final do ano. Já fiz minha lista de sugestões para serem gravadas e mandei pra eles. Dentre elas estão “Colares”, “Take a Bugo”, “Ela quer Pegar Uma Cor”, “Dizem que Não Estou Com Nada” canções antigas do repertório Xilarmônico que nunca foram registradas em disco.
Mas voltemos ao show. Nunca tinha visto um show inteiro com a formação clássica. E foi muito legal sacar ao vivo a importância do Birck enquanto presença de palco, sonoridade e imagem. A banda parece completa, porque não estamos falando somente das suas idéias que ajudam a equilibrar ou desequilibrar o som, mas é todo um contexto de sonoridades, o jeito com que ele toca e canta. O show cresce em musicalidade e em estranhezas também. Chegaram até mesmo tocar “Hordas de Demônio” que ao vivo fica impressionantemente ensurdecedora e por que não dizer infernal.
Sempre achei que faltava algo para equilibrar a insanidade das guitarras do Pianta ao vivo. E a química acontece justamente no momento em que a bateria e o baixo formam essas bases rítmicas e as guitarras se digladiam o tempo todo e que ao vivo geram uma massa sonora muito interessante sem perder o apelo “pop”. O show ainda contou com a participação de Anderson Bird (baterista do Repolho) tocando bateria na música “Eu” e  este que vos fala derrubando uma garrafa de água mineral com gás no palco e fazendo aquela lambança, na música “Baixo elétrico/baixo acústico”. Esse foi o primeiro show oficial da volta do quarteto fantástico. Tocaram quase duas horas e encerraram o show com o público pedindo bis e tocando justamente a música “Com Amor, Muito Carinho” do Roberto Carlos e que dá nome a primeira demo da banda. E com isso tudo eu só tenho a dizer: Erga-te Dominus, Puela Sacrossanta,  Graforéios  Xilarmônicus! Graforréios Xialrmônicus!

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1 Response to “Repolho e Graforréia. Foi sexta feira, dia 23 no Premier.”


  1. 1 Michel Angelo Marcon abril 5, 2012 às 6:17 am

    ieiiiiiii \o/ pena não estar presente neste acontecimento HISTÓRICO. E é histórico juntamente com outros que tive a felicidade de participar, como o show do aristóteles na efapi durante o “rollerskate” (acho que era esse o evento) , dos Atonais em Xanxere tocando com os Red Tomatoes… e compartilhando o palco com a Grafo enquanto fazia parte da Repolho , em um show no café pinhão…

    A TÉCNICA DO BAIXO ACÚSTICO É DIFERENTE DA DO BAIXO ELÉTRICO!


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