Tonho Crocco. Dalla – Chapecó SC.

Era quase uma hora da manhã e as mesas na Dalla Microcervejaria ainda não estavam ocupadas. Essas movimentações do público acabam sendo sempre imprevisíveis. Numa noite com um calor dos infernos, e duas (três) outras festas acontecendo em torno… fica difícil entender aonde o público vai e como ele se comporta. Na verdade já deixei de tentar entender isso há um bom tempo… Aproveitamos o prefácio de tempo disponibilizado pela falta de público para bater um papo e continuar as conversas iniciadas na passagem de som. Sempre é bacana entender o posicionamento que o artista tem em relação a sua obra. Gosto dessa possibilidade e acredito que a obra fica mais completa quando entendemos o contexto.

Tonho Crocco iniciou em carreira solo depois do término das atividades da Ultramen. Conhecia a Ultramen nos idos de 93 e desde então me tornei fã. Sempre achei os discos legais e os shows muito foda. Eles conseguiam equilibrar um conteúdo bacana, uma porção de referencias legais com elementos pop ou de apelo popular, sem perder a essência musical. Com o passar dos anos a banda só melhorava. Estava num auge em termos musicais, os shows estavam cada vez melhores e por aí vai. Mas porque acabou???  Acabou, talvez pela falta de espaços para poder viver nesse mercado musical alternativo brasileiro. A dificuldade de conduzir uma banda com 10 à 15 cabeças trabalhando em torno para fazer com que a coisa toda funcionasse. A falta de predisposição da mídia para aceitar algo bom. E talvez mais uma série de coisas, identifiquei algumas que me parecem mais óbvias. Porque a defasagem cultural, esse delay na cabeça do público interfere muito e geram um sem numero de interpretações. As alternativas para quem quer fazer boa música acabam não sendo muitas,  mas o Tonho resolveu apostar numa carreira solo. E aos poucos vem impondo um outro ritmo de trabalho. Ele tem o domínio total do que quer e como quer chegar até as pessoas. Gerencia a sua banda e a sua música definindo caminhos conceituais. Um respeito a uma proposta sonora, mas principalmente um respeito ao público presente nos shows o que já admirava o seu trabalho com a Ultramen e passa admirar ainda mais.

O inicio da carreira se deu com a ida até os EUA e a gravação de um ep com a participação do Simon Katz (baixista do Jamiroquai e Gorillaz). Depois disso ele volta para o Brasil e começa a percorrer diversos lugares com uma nova formação de banda. Já tinha visto uma apresentação desse período e tudo parecia muito verdadeiro. Depois veio o vídeo da Gangue da Matriz que gerou uma repercussão muito interessante na mídia.

Com o disco novo, “O lado Brilhante da Lua”,  vem a proposta de se organizar e organizar ainda mais o seu contato com o publico, através de um site (http://www.tonhocrocco.com) com uma estrutura de distribuição do seu trabalho. No show ele diz, que tem vários formatos do seu trabalho. Quer comprar o cd, custa 10 reais. Tem o vinil também que custa 40 (preço ultra acessível, todos os vinis lançados saem com preço de 90 a 120 no mínimo). Se não quer nem um nem outro, tem o disco pra baixar pago, ou o download gratuito. É legal essa postura de se entender como artista independente e se posicionar como tal. Como ele mesmo brincou no show, faço MPB, música para baixar.

O disco. O Lado Brilhante da Lua.

São dez canções. As quatro que estavam no single, remixadas e remasterizadas. Mais seis “novas”. Ali é possível perceber diversas influencias musicais que já eram perceptíveis para quem acompanha a carreira do Tonho (Na Ultramen ou em outras bandas). Mas que aqui se apresentam de forma mais pontual. Tem dois sambas, uma lance mais funkeado num estilo samba rock, algo mais soul romântico no melhor estilo Tim Maia e por aí vai. Ele mesmo diz: Não tem rap nem reggae. E não sei se é de propósito, mas é legal essa diferenciação que se faz com o trabalho da Ultramen. É legal estabelecer uma nova proposta musical mesmo percebendo que muitas coisas aqui poderiam caber lá também. Também é legal perceber que é uma banda que mistura diversas vertentes musicais, mas que soa verdadeira quando executa um samba, mesmo não sendo uma banda de samba. A execução é diferente, a pegada e o balanço é outro. O disco é produzido por ele mesmo sob o pseudônimo de Momo King. Foi gravado e mixado no Brasil  e masterizado em Londres no Abbey Road Studios por Alex Wharton e Julio Porto.

No show as músicas crescem e abrem possibilidades para improvisações. Nesse show ele não conseguiu trazer junto os sopros. Gosto dessa coisa de ouvir o disco como ele é no disco, mas é legal perceber que a banda tem que adaptar, ou improvisar algo quando não consegue reproduzir ao vivo tudo o que esta no disco. A formação da banda é o Tonho nos vocais e guitarra + uma Baixista, um baterista e teclados. É legal ver o Tonho tocando guitarra. Ele tem um jeito bacana de tocar e o tempo de experiência musical proporciona um show coeso que começa com um certo pique, mas que vai crescendo na medida que ele vai executando o disco solo e intercalando com algumas músicas da Ultramen. Sim ele se proporciona reinterpretações de músicas que ele compôs na Ultramen. E “explica” isso para o público. A Ultramen acabou. Não brigamos, não nos desentendemos, continuamos amigos e o respeito ainda é mutuo. Toco nos shows as músicas que eu compus inteira (letra e música).

Outra coisa que é impressionante é o jeito como ele canta. Tono é um baita cantor e consegue fazer o que quer com a voz, seja nos momentos mais agressivos ou suave. A forma como ele consegue variar a voz e encaixar em diferentes propostas sem perder a característica.

A volta da Ultramen.

Já se cogita há um bom tempo a possibilidade de um show aqui e outro ali. A fala é sempre a mesma, cada integrante seguiu o seu rumo. Um esta aqui o outro acolá. Mas o certo é que vai rolar um crowdfunding, um financiamento coletivo para lançamento do DVD que foi gravado no ultimo show da banda. Ou seja eles vão sentir o poder da banda junto a público. Se rolar e se perceber o interesse do publico que já vem se manifestando via facebook etc pode rolar uma volta da Ultramen para fazer uma série de shows em 2013. Vamos apoiar meu povo e ficar na torcida.

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