Defalla – Discografia do Rock Gaúcho (07.02.2013)

Certa vez eu conversava com o Edu k sobre o disco “kings of Bullshit” e ele comentou que quando o disco foi gravado (em 1992) parecia um trovão, ouvindo hoje parece um peidinho. Não foram bem esses os termos usados e a conversa aconteceu há uns dez anos atrás. A real é que as gravações perdem o peso com o passar dos anos. O nosso ouvido se acostuma a ouvir coisas mais pesadas, as tecnologias mudam etc etc. Mas as mesmas canções que outrora foram registradas a mercê de (ou limitada por) aspectos tecnológicos, continuam canções fortes quando executadas ao vivo. E foi a percepção que eu tive no show do Defalla no “Discografia do Rock Gaucho” no ultimo dia 07 (fevereiro) em Porto Alegre no Opinião.

Sempre digo e não me canso de dizer, e é bom reinterar novamente (mais uma vez por escrito) que a sonoridade dos dois primeiros discos do Defalla já são sensacionais por si só. Ao vivo é uma erupção vulcânica. Vi ano passado o show nesse mesmo projeto (Discografia do Rock Gaúcho) o Defalla tocando o primeiro disco. Foi foda, muito bem executado, emocionante, pra mim que nunca tinha visto essa formação ao vivo etc etc, mas o show do Opinião tocando o segundo disco, “It’s Fucking Borin To Death”, foi algo inacreditavelmente inacreditável. A base sonora do Defalla é um trio, que conta com a formação clássica da família “Monstros do rock e suas Peripécias Musicais Monstruosas” contando com Biba Meira na bateria, Flávio Santos no baixo e Castor Daut na guitarra.  Os três reunidos conseguem criar um cenário sonoro avassalador. Mas nessa noite eles reforçaram o time com presença pé de chumbo do eterno metaleiro numero um de Porto Alegre: Marcelo Fornazzo, (que participou de uma das formações do Defalla). Com isso tudo só posso afirmar que o show foi pesadaço. Tentei gravar alguns vídeos do show e na gravação só aparece um ruído, estourou tudo. Se o lado musical foi insano a performance foi explosiva. Em determinados momentos as músicas entram num loop ruidoso e intenso gerando um caos geral. O disco que eu sempre gostei, e muito ouvi desde a década de 80, ao vivo se tronou algo memorável.

O inicio foi picareta. Começou com uma colagem “de falas” que tem sampleadas no disco, em cima disso entra a batida da música “Como Vovó Já Dizia”. Pensei, agora vai ser foda, vai ter fogos (não, fogos está proibido) vai ser uma loucura, eles vão entrar dependurado em cabos, fazendo acrobacias, jogando bolhas de sabão, o Edu vai entrar num patinete vestido de pornô Barbie, e os sinos… que nada. O que entrou foi o vocal da música num “playback” chinelo. Eles entraram no placo como Senhores Defalla, de maneira lenta e cadenciada, mas reagindo a empolgação da plateia que ovacionava a cada integrante que adentrava no recinto. Nada mais apropriado. Quando estavam todos a postos o Edu grita no microfone: mas desliga essa merda!!! Tive que rir. É o Defalla né. Não tem como querer botar panca de certinho uma coisa que sempre foi anárquica. O que veio a seguir foi um show foda pra caralho. Uma destruição sonora que só confirma a vanguarda artística de uma banda que continua atual tocando músicas compostas e gravadas em 1988.

No meio disso tudo é interessante perceber que os olhares hoje são outros. E se na época eles tocavam nos porões do underground, hoje as pessoas tem informações para assimilar melhor essa quantidade absurda de informação. O Edu que antes soava um maníaco psicopata que apavorava as pessoas em volta, hoje não assusta mais. Até na TV Com (acompanhei eles na participação que fizeram no programa do Roger) o pessoal da equipe, câmeras, produtores etc, que antes deveriam se horrorizar como aquilo tudo, hoje acham engraçado. Nos show ele é o frontman tarado e como sempre performático ao extremo, sarcástico quando necessário, fazendo comentários esdrúxulos e conversando com as pessoas na plateia no meio das músicas. E o que soava agressivo no longínquo anos 80, hoje soa engraçado e divertido mas não menos contundente.

Divertido e contundente, pode ser uma boa definição para o show. É visível o fato de que eles se divertem com isso tudo (e sempre se divertiram). Em diversos momentos o próprio Castor se emocionava vendo a Biba tocar e comentava ao microfone. A Biba, por ser a única mulher assumida da banda, continua sendo alvo do deboche, mas responde a altura mandando eles se fuder o tempo todo. No show tiveram momentos de: a Biba continua boa ou não??? E também momentos de votação para ver se o Fornazzo fica na banda. E assim o show foi acontecendo na sequencia do disco.

Na música instrumental Metallica (que encerra o lado A do disco) o Edu, diz e aí qual é? A Biba: Metallica. Edu: putz, vai ao microfone e diz: Esse é o meu momento Beto Bruno e sai do palco. Deixando eles destruir numa música instrumental de alguns segundos. É uma música tão forte no disco e ao vivo eles deixaram ela mais enxuta e potente.  A volta do Edu ao palco se dá com o inicio do lado b mais conhecido da banda: Its Fucking Borin to Death” (musica que discretamente dá nome ao disco) e um dos grandes clássicos do Defalla. O povo nos camarins se emociona e adentra no palco para dançar e cantar junto. A partir dali tudo vira festa.

Beto Bruno e Edu K num momento interativo a moda antiga.

Beto Bruno e Edu K num momento interativo a moda antiga.

É legal perceber a reverencia das pessoas, principalmente da classe musical que percebe a importância do Defalla nesse cenário da música brasileira. O Beto Bruno que já tinha se manifestado no programa da TV Com, fez questão de repetir para o seu público na hora do show. Uma espécie de aviso. Olha molecada. O que vocês vão ver a seguir é uma das bandas mais anárquicas brasileiras. Mas estavam ali também, outros músicos da velha guarda portoalegrense que sequer são vistos na noite, só pra ver o Defalla. O Freddy (da Comunidade Nin Jitsu) estava visivelmente emocionado com tudo aquilo e justo ele que puxou os “bis” do show. E foi emocionante. Eles voltam pro palco acompanhados da Cachorro Grande e tocam Slaughterhouse e Satisfaction na versão do disco “Kings of Bullshit” (outro disco clássico do Defalla e que define toda cena musical da década de 90). Foi engraçado ver o Defalla tocando Satisfaction e cachorrada dançando que nem rapper. O final foi apoteótico.

Foi legal também ver e constatar uma gurizada em frente ao palco “descobrindo” o Defalla. Tem uma renovação bacana acontecendo. E o que vem por aí promete. A banda vem “ensaiando” e fazendo novas músicas, com a ideia de gravar um novo disco (que deve sair até final do ano). Aguardem novidades em breve.

Abaixo mais algumas fotos tiradas por este que vos escreve:

Castor e a sua caixa mágica.

Castor e a sua caixa mágica.

Castor - Fornazzo - Flu

Castor – Fornazzo – Flu

Edu K )na contra foto( - o côncavo e o convexo.

Edu K )na contra foto( – o côncavo e o convexo.

passagem de som

passagem de som

Defalla – ao vivo na TV Com – Programa do Roger.

defalla - tv com

Confira o Programa aqui.

bloco 01

http://videos.clicrbs.com.br/rs/tvcom/video/programa-do-roger/2013/02/programa-roger-confira-participacao-banda-falla-bloco-07-02-2013/12238/

bloco 02 – Entrevista com Lelê + Beto Bruno.

http://videos.clicrbs.com.br/rs/tvcom/video/programa-do-roger/2013/02/programa-roger-beto-bruno-fala-sobre-projeto-discografia-rock-gaucho-bloco-07-02-2013/12247/

bloco 03

http://videos.clicrbs.com.br/rs/tvcom/video/programa-do-roger/2013/02/programa-roger-confira-participacao-banda-falla-bloco-07-02-2013/12246/

bloco 04

http://videos.clicrbs.com.br/rs/tvcom/video/programa-do-roger/2013/02/programa-roger-confira-participacao-banda-falla-bloco-07-02-2013/12244/

CONTINUE LENDO O TEXTO SOBRE O SHOW DA CACHORRO GRANDE:

https://acb2.wordpress.com/2013/03/01/cachorro-grande/

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