Graforréia Xilarmônica – Um chacundum supersônico no Lollapalloza.

grafo - lolla

Missão: Acompanhar a Graforréia Xilarmônica no Lollapalooza… Nada mais justo, acompanho desde 1989… nos tempos idos onde as coisas eram mais orgânicas e os sentimentos digitais somente especulação. Não podia perder. Hoje, depois de ter visto a banda em diversos momentos e acompanhado idas e vindas, fica claro pra mim falar sobre a apresentação no Lollapalooza. Sim, falo um pouco como o fã que sempre fui, mas na verdade me sinto no direito justamente por esse motivo. Sem delongas. Foi foda!!! Se quiser nem precisa ler adiante. Veja as fotos.

Link do flickr:http://www.flickr.com/photos/agitocombalalau/

A Graforréia foi escalada para abrir o segundo dia do festival no palco Butantã. Trocariam após (no mesmo palco) o Tomahawk, Franz Ferdinand… Butantã era um dos palcos principais e esse fato só aumentava a responsabilidade da banda em fazer uma apresentação convincente. A meu ver, o show teria sido mais caloroso se fosse no palco alternativo. Percebi isso no show do Alabama Shakes, que tocou mais perto do público. O show num palco maior, sempre acaba sendo um pouco mais difícil, ainda mais com a Graforréia, que as pessoas sempre respondem de maneira intensa às calorosas provocações musicais. Mas a lógica hoje em dia desses grandes shows é essa. Fiquei observando esses pequenos detalhes pelo acesso que tive aos bastidores da festa. O palco é longe, porque tem que ter espaço pra muita gente que trabalha no evento. Tem que ter um corredor pra equipe técnica, seguranças, equipe de filmagem montar grua, trilhos, câmeras, etc., espaço pra imprensa porque tudo tem que ser registrado, transmitido e fotografado… E por aí vai.  Com tudo isso, o palco fica longe, é tanto isolamento que a banda acaba ilhada, a imagem que se tem mais próxima é de quem se estapeia na disputa pela grade em frente ao palco ou no telão. Tudo funciona na lógica comercial, e o público que deveria estar mais próximo da banda para obter com maior eficiência a experiência de ver uma banda ao vivo, está cada vez mais longe. Dito isso e sabendo que existe nos grandes shows e que se mantém como elemento lógico em Festivais. Posso afirmar que funcionou o fato da Graforréia tocar num grande palco. Até porque a equipe técnica deu conta de reduzir os espaços para que a banda tocasse mais próxima. Já vi shows da Grafo, em lugares pequenos, grandes, com som ruim e com som bom. Shows rápidos, festa baile, ao ar livre ou no ginasião. O legal é que a banda mantém uma essência em todas as situações. Talvez isso seja uma premissa interessante de uma banda que tem tanto tempo de estrada, e que acaba não fazendo muitos shows. Os integrantes se dedicam a diversas atividades e o “não ensaiar muito”, até mesmo em função de tocar esse repertório há muito tempo, faz com que a banda adquira uma personalidade diferente do que é visto no mainstream, que acaba muitas vezes plastificando a banda. Na Graforréia esse fator se transforma em virtude, porque vemos o artista de maneira mais orgânica, sujeito a erros e acertos, improvisos e reinterpretações da própria música. Elementos característicos de uma banda que se apresenta sempre de forma única. O Marcelo Birck disse isso, em recente entrevista. Nem mesmo o que foi gravado em disco, com as facilidades tecnológicas de hoje em dia, tem a tendência de permanecer intocável. Tudo pode ser modificado, remixado, reinterpretado. Porque não fazer um clip de uma música que foi lançada há tempos atrás? Talvez com uma remixagem, ou releitura…

Se nessa lógica, cada show é uma coisa, uma história, único; o show do Lollapalooza foi assim também. Percebi uma tranquilidade em todos eles. Não se sentiram pressionados porque iam se apresentar no “grande festival”. Foram lá, sem delongas, ensaios ou combinações prévias e mostraram o que sabem fazer de forma impecável. Dessa vez a banda dispunha de uma estrutura legal de equipe técnica, roadies, de som, luz do dia… O som estava bom e pudemos inclusive ouvir a voz do Marcelo nas músicas que ele canta. Essa formação resgata a essência da Graforréia da década de 80. E sempre impressiona e surpreende o fato de que tais músicas, compostas há quase trinta anos atrás, continuam fazendo sentido. Impressionante foi sentir a força nas interpretações e a porrada supersônica que as canções adquiriram (especialmente nessa apresentação do Lollapalooza). Os graves estavam pulsantes e presentes de forma sensacional, deixando o duelo de guitarras mais intenso aos ouvidos atentos. Nesse quesito a Graforréia é única. E tudo isso ficou muito explicito. A briga de “esquisitices” das guitarras do Birck e do Pianta é algo inacreditável. Não existe nada parecido na história mundial da música riograndense e por que não dizer mundial.

Cheguei cedo e estava vazio. Era o primeiro show do dia. Em 15 minutos o espaço estava tomado por fãs que se sujeitavam ao sol do inicio da tarde para ver a Graforréia. Muito mais do que um bairrismo como foi anunciado por alguns meios de comunicação, foi legal perceber esse respeito com a banda. Os fãs estavam lá para ver e cantar os sucessos undergrounds de uma banda que tem uma carreira repleta de hits desconhecidos.  E o set list estava muito bacana. Por se tratar de músicas de curta duração, o show possibilitou tocar um repertório expandido no mesmo espaço de tempo.

O saldo disso tudo é que foi um show muito foda. Talvez um dos melhores que eu vi da Graforréia. Ficou claro perceber que com uma estrutura boa só ressalta as virtudes e qualidade dessa trupe de malucos que se reúnem sob a alcunha de Graforréia Xilarmônica. Uma banda supersônica que também funciona em festivais e se mostra pronta pra dominar o mundo.

Recolhi aqui, alguns links que falam do show da Graforréia no Lollapalooza.

http://screamyell.com.br/site/2013/03/30/balanco-lollapalooza-brasil-2013/

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1254819-graforreia-xilarmonica-finca-a-bandeira-gaucha-no-lollapalooza-brasil.shtml

http://www.rockemgeral.com.br/2013/03/30/graforreia-xilarmonica-arrepia-no-lollapalooza/

http://musica.terra.com.br/lollapalooza/graforreia-xilarmonica-nossa-geracao-ainda-tem-muito-a-dizer,1e27fdd4e1cbd310VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

http://rollingstone.com.br/noticia/lollapalooza-2013-graforreia-xilarmonica-abre-o-palco-butanta/

http://cbn.globoradio.globo.com/sao-paulo/2013/03/30/GRAFORREIA-XILARMONICA-ABRE-O-SEGUNDO-DIA-DE-LOLLAPALOOZA.htm

http://atdigital.com.br/blognroll/2013/03/lollapalooza-graforreia-xilarmonica-para-poucos-no-butanta/

http://musica.uol.com.br/album/2013/03/30/veja-os-shows-do-2-dia-do-lollapalooza-2013-em-sao-paulo.htm?abrefoto=2

entrevistas:

http://www.prefeiturasfjr.com.br/lollapalooza/index.php/entrevistas/graforreia-xilarmonica

http://www.portalrockpress.com.br/modules.php?name=News&file=print&sid=5084

http://panodebanda.blogspot.com.br/2013/03/entrevista-com-marcelo-birck-da.html

Anúncios

0 Responses to “Graforréia Xilarmônica – Um chacundum supersônico no Lollapalloza.”



  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s





%d blogueiros gostam disto: