A morte pede carona.

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Uma pequena reflexão (que não importa muito, mas que resolvi escrever porque me deu vontade) sobre o que é um filme de verdade e o que é a indústria do cinema.

A morte do ator Paul Walker levantou uma série de questionamentos, deixando evidente mais uma vez as ironias da vida. O astro das corridas de carro nos filmes, morre de acidente de carro na vida real. É irônico. Assim como muitas vezes a morte o é. O que era imbatível no cinema se tornou falível na vida real. Sempre a realidade para estragar tudo. A realidade é sempre mais sarcástica. E o pior é que tenho a sensação de que quando alguém morre, nesse universo midiático macarrão instantâneo, tem mais gente rindo do que chorando. As pessoas vem pra ti e perguntam rindo (ou ironizando): viu quem morreu? Tá sabendo? E tome post no facebook idiotizando a situação, glorificando ou fazendo piadinhas (afinal com um facebook nas mãos todo mundo vira artista, fotógrafo, poeta, stand up comedy… e por aí vai).

Li recentemente alguns desdobramentos da indústria (do “cinema”) em relação a morte do ator, que envolvem a filmagem do sétimo filme da serie (mais) Velozes e (cada vez mais) Furiosos. O filme estava na metade das filmagens. O ator, em questão era o astro da franquia. Nome interessante pra chamar uma série de filmes que são produzidos em série de maneira quase industrial. Entre seguro, possibilidades de refilmagens, soluções digitais, término da franquia, reinicio de uma nova… também se fala em homenagem ao astro morto.

É engraçado isso. Estou escrevendo sobre algo que eu não vi. Meio idiota fazer isso. Mas juro que eu tentei ver o primeiro filme (na época que foi lançado) para tentar entender. E o que me lembro, era de ver um filme onde os carros são o ponto principal, velocidade, corridas, gente bonita e… e… acho que era só isso.

Recentemente na estréia de “Velozes e Furiosos 6”, estava na fila para comprar ingressos pro cinema (no caso pra ver um outro filme) quando vi um comentário de dois jovens em frente ao cartaz do filme e que me pareceu esclarecer tudo.

 – Vamo vê os Velozes e Furiosos!

– Creim, mas é legendado.

– E o que isso importa, a gente só vai ver os carro mesmo.

A conversa definiu tudo. De forma simples, ocasional e ingênua percebi na fala dos dois jovens, a outra ponta da coisa toda. E imediatamente tudo começou a fazer mais sentido pra mim. O “filme”/produto, que é uma franquia, fabricado pela indústria e patrocinado por uma outra indústria, é focado num tipo de público que esta mais interessado em ver os carros (a velocidade, tetinhas ou explosões). O que acontece, como acontece e porque, não importa muito. É a mesma sensação que se tem na gôndola do mercado com uma infinidade de marcas de leite em suas caixas coloridas. Você simplesmente compra o que acha mais bonito. Porque não tem como escolher leite pela qualidade (ou tem?). É a tal indústria pensando em como atingir a nova geração. E a nova geração respondendo a isso de maneira impar.

É lógico, ao meu entender, que eles não vão ter maiores problemas em substituir o ator. Não falo do ser humano e sim do personagem por detrás da história toda. Ele, o ator, não faz diferença, como não faz diferença a vaca que produziu o leite que você compra no mercado. A grande atração sempre foram os carros. Depois disso também descobri porque eu nunca vi os filmes. Um porque gosto muito de cinema e dois porque acho que carros são meios de transporte.

Em se tratando de indústria, mesmo eles sendo cada vez mais óbvios em diversos momentos, sempre fico em dúvida sobre o que é melhor para minha saúde.  Nunca sei se tenho que comprar o leite integral ou a bolacha desnatada. Em se tratando de cinema de verdade… esqueça o que eu ia dizer, ninguém vai ler o texto ate o final mesmo.

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