20 anos (1995-2015) da demo Campo e Lavôra – Banda Repolho.

por: Roberto Panarotto

banda repolho

A terceira demo da Banda Repolho, o ano 1995. A primeira vez que entramos em estúdio de verdade, já que as duas demos anteriores foram gravadas em sistema pecuário e improvisado mas sempre muito criativo e inovador (pelo menos para nossa realidade).

O ano de 1995 começou com uma seleção de repertório, escolhidos a dedo para se fazer presentes nesse que seria o nosso primeiro registro com uma “qualidade melhor”. Entendíamos na época, que qualidade maior era gravar em estúdio e ter uma percepção diferente do que eramso acostumados a ter como estética sonora. Fizemos alguns shows e reunimos uma grana pra financiar essa nova empreitada. Com o auxilio do Marcelo Birck reservamos estúdio em Porto Alegre, o Estúdio Alfa. E nos dias 25, 26 e 27 de outubro de 1995, gravamos a demo  da Campo e Lavôra.

Tínhamos 14 musicas selecionadas e ensaiadas. Por mais incrível que isso possa parecer, teve um período da banda que ensaiávamos muito. Eram cerca de 3 ensaios por semana e mais eventuais ensaios de vocal ou de(s)arranjos. Das 14 musicas, 12 estão na demo oficialmente e tinha mais “Funke Tchuca” (que seria posteriormente registrada no primeiro longaplay em 1997, intitulado Repolho Vol 1.) e “visita” (que nunca teve registro oficial).

Acabamos, como tudo o que acontecia na época em relação ao Repolho, fazendo uma votação.  Chegando ao consenso das 12 canções que se fariam presentes na demo, sempre sem agradar todo mundo. Eu, por exemplo não queria a musica “Palhaço Chupa Manga”, e preferia “Funke Tchuca”, mas fui voto vencido. Tudo bem concordei contanto que “Palhaço chupa-manga” fosse a música de abertura da demo. Como achava ruim a música, que começasse assim, chutando o pau da barraca. Essa música não é muito lembrada pelo grande público, mas em especial temos dois fãs importantes que sempre que possível se referem a ela, o Gurcius (dos Legais) e o Marcelo Camelo (do Marcelo Camelo).

Ensaiávamos no porão da casa em que eu morava com o Demétrio. Era um porão rústico e estilo colonial, com chão batido e aberturas em treliças laterais de tijolo. Típico porão para armazenar queijo, vinho ou secar salame. Não importava a condição, a vontade era de tocar e fazer acontecer. Ali naquele espaço e com um equipamento mais precário que o próprio porão em si, gravamos uma pré-demo. A intenção era ter uma base de como as músicas ficariam, para que depois pudéssemos entender o que poderia ser modificada e ou reformulada para gravação oficial. Essa pré-demo acabou parando na mão do Edison e Cia quando tocamos em Jaraguá do Sul no Curupira e está disponível aqui para download, para quem tiver coragem de baixar:

http://demo-tapes-brasil.blogspot.com.br/2012/09/repolho-ensaio-1995-bootleg.html

As gravações em Porto Alegre aconteceram num esquema muito interessante. Foram 3 dias intensos e utilizamos 18 horas de estúdio.

banda repolho campo e lavora 01

Saímos de Chapecó na terça-feira e começamos as gravações na quarta feira dia 25 de outubro. Primeiro dia, arruma tudo, regula tudo, ajeita tudo, respira fundo e vai. Tocamos ao vivo e gravamos 15 músicas. Além das 12 gravamos “Porcona”, “Lasanha” e “o Jegue” com a ideia de ter uma gravação um pouco melhor dessas músicas que haviam sido lançadas na Demo “Repolho e a Horta da Alegria”. A maior dificuldade se deu em função de que o estúdio era muito grande e gravamos sem nos enxergar, elemento que até então era importante na execução das músicas. Mas tudo correu como planejado. Gravamos no primeiro dias as 15 bases oficiais, naquela de, se a bateria acertou, deixa, porque não tinha como regravar um erro de bateria, se algum outro instrumento (baixo, guitarra ou vocal) errava, regrava no dia seguinte. Esse primeiro dias utilizamos 4 horas de estúdio.

O segundo dia foi só pra ouvir o que tinha sido feito, regravar algum instrumento, ou instrumento estra, backing vocal, gritos, palmas, percussões ou eventuais participações especiais. Tudo certo. Entre uma torrada e outra da esposa do Homero ou um leitinho com Nescau, utilizamos mais 4 horas de estúdio para esses overdubs.

O terceiro dia ficou somente para mixagem final e saída dos materiais. Lembrando que todo o processo era analógico e não se tinha a facilidade que se tem hoje das gravações em formato digital. Gravamos numa fita rolo de 16 canais e a saída era em DAT – Digital Áudio Tape. Posterior a isso a fita DAT foi levada a Novo Hamburgo pra fazer um copia em cd. Era o único lugar no Rio Grande do Sul que tinha esse sistema de copias de DAT pra CD. Saímos de Porto Alegre, com o primeiro registro em cd da banda Repolho, para que dele fossem feitas as cópias em fita cassete para serem distribuídas via correio ou lojas de disco.

Pois bem o processo todo foi dificultoso e muito mais complexo do que as fitas demo anteriores. Ainda tínhamos que voltar pra Chapecó, criar a arte da capinha da fita etc etc. E aí que a coisa complicou. Era um transição das tecnologias analógicas para o formato digital. Foi tanto esforço que quando chegou a hora de distribuir, a fita ficou parada. Não foram muitas cópias feitas. Mas as que foram distribuídas tinha no lado A a “Campo e Lavôra” fechando um total de quase 30 minutos de música e no lado B a fita A Horta da Alegria de bônus. Enquanto a segunda demo tínhamos contabilizado cerca de 1000 fitas oficiais, saída das nossas mãos, gravadas, montadas capinha recortadas a mão, da “Campo e Lavora”, acredito que chegamos a fazer umas 300 cópias no máximo.

Baixe a demo “Repolho – Campo e Lavôra” aqui:

http://demo-tapes-brasil.blogspot.com.br/2013/09/repolho-campo-e-lavora-1995.html

mapa das músicas - organização do estúdio

mapa das músicas – organização do estúdio

Ainda sobre a capinha, tivemos o auxilio do Nelson Akira Fukai que fotografou a banda, o Cleandro Tombini que nos desenhou para o encarte e Júlio Mendes (que havia tocado baixo com a gente num interlúdio entre uma saída e volta do girino pra banda). Na capa a presença física e espiritual de Eric Thomas. Uma foto tirada nos altos da Getulio Vargas nos tempos de rebeldia adolescente. Fizemos uma montagem colocando uns repolhos de fundo. A montagem é tão boa que nem se percebe a montagem. O logo foi re-estilizado pelo Girino a partir de uma ideia original do Cleandro Tombini (artista responsável pelos momentos gráficos da banda e pela excelente criação do brasão da banda com um colono e duas enxadas).  O tom colorido carnavalesco kitsch dão o tom visual de um momento explosivo esteticamente e que pode ser conferido ao vivo aqui no show no curupira (citado acima):

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