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Banda Repolho e Júpiter Maçã (encontros e desencontros)

aquário Estúdio Dreher - Demétrio, Birck, Passarinho e Júpiter ouvindo atentamente as gravações

aquário Estúdio Dreher – Demétrio, Birck, Passarinho e Júpiter ouvindo atentamente as gravações

A parceria com o Júpiter vem de longa data. Começou ainda quando o Júpiter não era Júpiter, mas o Repolho já era Repolho. Para o Jupiter (Flávio Basso) era um hiato entre o fim dos Cascavelletes e inicio da carreira solo. Nos encontramos pela primeira vez em meio a umas festas baile que a Graforréia Xilarmônica realizava. Esse encontro foi no bar Opinião (antes da reforma) em Porto Alegre. O ano foi 1994, a data? Pois bem, difícil de lembrar até porque não tenho registros impressos, fotográficos… o que restou foi a pior das fontes, a memória.  Lógico que o que vocês vão ler a seguir, segue essa linha de resgate de um hd orgânico e desgastado pelo tempo.

Vamos aos detalhes: A Graforréia tinha o costume de organizar o que eles chamavam de “festa baile” onde eles tocavam 5 ou 6 horas de repertorio “graforréico” inserindo algumas referências musicais e sempre, uma vez ou outra,  as vezes aqui ou ali, recebendo convidados. Desta vez participamos, nós com a Banda Repolho, a Ultramen, o Flávio Basso e a Biba Meira. Festão de róque “Made in Poa”,  com direito a tudo o que uma festa dessas tem a oferecer. Insanidades mil. Era um período onde a gente se sentia meio parte da Graforréia e ocupávamos descaradamente o microfone do Carlo Pianta que se divertia com os backins mais nada a ver da história da Graforréia. Era assim sempre que tocávamos junto. Mas esse não é o foco nesse texto. O show do Jupiter aconteceu em meio a isso tudo. Foi uma intervenção musical de amor e ódio em meio a show da Graforréia. O nosso encontro se deu nos camarins onde encontramos/conhecemos pessoalmente um Flávio Basso mais calmo, introspectivo e gentil. Trocamos poucas ideias nessa época, afinal estávamos em meio a shows que aconteciam ininterruptamente e o entra e sai (no bom sentido) nos camarins era intenso. Um revezamento hora no palco, hora na plateia, hora nos camarins.

Depois desse primeiro ensejo, acabamos recebendo-o aqui em Chapecó num show memorável no Goará. A organização ficou por conta do Giuliano Paludo. E o show em questão era ”pré-lançamento” do disco “Sétima Efervescência”. Fui na passagem de som, conversamos, fiz entrevistas, o show foi gravado e posteriormente utilizado pelo Jupiter no filme “Pescando Jupiter segundo Huxley”. Essa história do Jupiter em Chapecó conto outra hora. Vamos ao terceiro encontro.

Marcelo Birck e Júpiter Maçã

Marcelo Birck e Júpiter Maçã

Quando estávamos gravando o primeiro disco do Repolho, pensamos em convidar o Jupiter para participar de uma das músicas. Mas acabou não rolando, nem chegamos entrar em contato. Mas o encontro nos estúdios aconteceu na gravação do segundo disco em 1998,  nos estúdios Dreher. Ele acabou se fazendo presente para participar das faixas, “Adriana” e “Abixornado” onde ele tocou teclado regido pelo Marcelo Birck. A sugestão dele tocar teclado veio do Birck (que tinha composto e regido os arranjos da Música “Eu e Minha ex”  e estava trabalhando no segundo disco “Plastic Soda” com o Jupiter).

Ouvindo as gravações - Júpiter Maçã e Marcelo Birck

Ouvindo as gravações – Júpiter Maçã e Marcelo Birck

Nesse meio tempo aconteceram diversos encontros fora dos palcos, uma entrevista aqui, uma produção de show ali, uma mostra de filme etc.

Voltamos a fazer show com o Júpiter novamente em 2004, dia 11/09 aqui em Chapecó na Rep (República CRC) foi um reencontro dos palcos. Nesse show o Anderson Bird Tocou Bateria com o Jupiter.

Roberto Panarotto - Júpiter Maçã e Silvio Biondo

Roberto Panarotto – Júpiter Maçã e Silvio Biondo

Teve um outro show, nessa mesma época com os Red Tomatoes e Jupiter que acabamos encerrando o show do Jupiter todos em uníssono cantando “Lugar do Caralho”. Era a formação/show do disco “Tarde na Fruteira” mesmo que o disco ainda não tivesse saído.

Em 2006 tivemos novamente a presença de Jupiter na gravação do nosso terceiro disco. Ele foi um dia ao estúdio Dreher para uma visita/celebração e que acabou virando algo mais especial. Convidamos ele para participar do disco, deixando-o a vontade para fazer o que queria. A parceria aconteceu nas músicas “Não Fui Eu” em que ele tocou teclado e cantou o trecho:

Estúdio Dreher - Gravação da música "Não Fui Eu" Roberto - Demétrio e Jupiter

Estúdio Dreher – Gravação da música “Não Fui Eu” Roberto – Demétrio e Jupiter

“ontem entraram na casa dela, brincaram com ela , não fui eu,

ontem abriram os armários dela, brincaram com ela , não fui eu,

ontem mexeram nas coisas dela, brincaram com ela , não fui eu…”

Também participou da música “Benga na Alemanha” que ele toca piano e “Ruiva” que ele toca 2ª guitarra.

A música “Em Etapu” dê sua autoria e regência é um deleite só e foi sugerida por ele. Na festividade das gravações nos contou umas histórias sobre uma música que na época ele tinha composto pra dar pro Reginaldo Rossi gravar. A música no caso “Em Etapu” que de certa forma resgatava uma verve mais provocativa e visceral adolescente acabou sendo coordenada por ele mesmo que inverteu todas as lógicas de gravação. Ele tocou violão e faz uma segunda voz.  Aprendemos a música na hora e ele mesmo foi tocando e gravando e fazendo os backings  quase como se fosse uma roda de violão. Por fim quando conseguimos um resultado caótico e desprendido, o Jupiter disse: mas falta gravar a bateria. E foi ele mesmo fazer o registro que acabamos creditando no disco como Flávio Basso. O Thomas Dreher e o Gustavo que produziram isso tudo acabaram dando essa cara pra música.

Será que ela mora em Ririca-si?

Júpiter e Roberto Panarotto

Júpiter e Roberto Panarotto

Nosso próximo encontro acontece no dia 10 de julho de 2015.

OBS: Júpiter sempre esteve em Chapecó realizando inúmeros shows e tem uma história bacana com a cidade de Chapecó e fãs locais, mas isso eu conto num próximo texto.

 

20 anos (1995-2015) da demo Campo e Lavôra – Banda Repolho.

por: Roberto Panarotto

banda repolho

A terceira demo da Banda Repolho, o ano 1995. A primeira vez que entramos em estúdio de verdade, já que as duas demos anteriores foram gravadas em sistema pecuário e improvisado mas sempre muito criativo e inovador (pelo menos para nossa realidade).

O ano de 1995 começou com uma seleção de repertório, escolhidos a dedo para se fazer presentes nesse que seria o nosso primeiro registro com uma “qualidade melhor”. Entendíamos na época, que qualidade maior era gravar em estúdio e ter uma percepção diferente do que eramso acostumados a ter como estética sonora. Fizemos alguns shows e reunimos uma grana pra financiar essa nova empreitada. Com o auxilio do Marcelo Birck reservamos estúdio em Porto Alegre, o Estúdio Alfa. E nos dias 25, 26 e 27 de outubro de 1995, gravamos a demo  da Campo e Lavôra.

Tínhamos 14 musicas selecionadas e ensaiadas. Por mais incrível que isso possa parecer, teve um período da banda que ensaiávamos muito. Eram cerca de 3 ensaios por semana e mais eventuais ensaios de vocal ou de(s)arranjos. Das 14 musicas, 12 estão na demo oficialmente e tinha mais “Funke Tchuca” (que seria posteriormente registrada no primeiro longaplay em 1997, intitulado Repolho Vol 1.) e “visita” (que nunca teve registro oficial).

Acabamos, como tudo o que acontecia na época em relação ao Repolho, fazendo uma votação.  Chegando ao consenso das 12 canções que se fariam presentes na demo, sempre sem agradar todo mundo. Eu, por exemplo não queria a musica “Palhaço Chupa Manga”, e preferia “Funke Tchuca”, mas fui voto vencido. Tudo bem concordei contanto que “Palhaço chupa-manga” fosse a música de abertura da demo. Como achava ruim a música, que começasse assim, chutando o pau da barraca. Essa música não é muito lembrada pelo grande público, mas em especial temos dois fãs importantes que sempre que possível se referem a ela, o Gurcius (dos Legais) e o Marcelo Camelo (do Marcelo Camelo).

Ensaiávamos no porão da casa em que eu morava com o Demétrio. Era um porão rústico e estilo colonial, com chão batido e aberturas em treliças laterais de tijolo. Típico porão para armazenar queijo, vinho ou secar salame. Não importava a condição, a vontade era de tocar e fazer acontecer. Ali naquele espaço e com um equipamento mais precário que o próprio porão em si, gravamos uma pré-demo. A intenção era ter uma base de como as músicas ficariam, para que depois pudéssemos entender o que poderia ser modificada e ou reformulada para gravação oficial. Essa pré-demo acabou parando na mão do Edison e Cia quando tocamos em Jaraguá do Sul no Curupira e está disponível aqui para download, para quem tiver coragem de baixar:

http://demo-tapes-brasil.blogspot.com.br/2012/09/repolho-ensaio-1995-bootleg.html

As gravações em Porto Alegre aconteceram num esquema muito interessante. Foram 3 dias intensos e utilizamos 18 horas de estúdio.

banda repolho campo e lavora 01

Saímos de Chapecó na terça-feira e começamos as gravações na quarta feira dia 25 de outubro. Primeiro dia, arruma tudo, regula tudo, ajeita tudo, respira fundo e vai. Tocamos ao vivo e gravamos 15 músicas. Além das 12 gravamos “Porcona”, “Lasanha” e “o Jegue” com a ideia de ter uma gravação um pouco melhor dessas músicas que haviam sido lançadas na Demo “Repolho e a Horta da Alegria”. A maior dificuldade se deu em função de que o estúdio era muito grande e gravamos sem nos enxergar, elemento que até então era importante na execução das músicas. Mas tudo correu como planejado. Gravamos no primeiro dias as 15 bases oficiais, naquela de, se a bateria acertou, deixa, porque não tinha como regravar um erro de bateria, se algum outro instrumento (baixo, guitarra ou vocal) errava, regrava no dia seguinte. Esse primeiro dias utilizamos 4 horas de estúdio.

O segundo dia foi só pra ouvir o que tinha sido feito, regravar algum instrumento, ou instrumento estra, backing vocal, gritos, palmas, percussões ou eventuais participações especiais. Tudo certo. Entre uma torrada e outra da esposa do Homero ou um leitinho com Nescau, utilizamos mais 4 horas de estúdio para esses overdubs.

O terceiro dia ficou somente para mixagem final e saída dos materiais. Lembrando que todo o processo era analógico e não se tinha a facilidade que se tem hoje das gravações em formato digital. Gravamos numa fita rolo de 16 canais e a saída era em DAT – Digital Áudio Tape. Posterior a isso a fita DAT foi levada a Novo Hamburgo pra fazer um copia em cd. Era o único lugar no Rio Grande do Sul que tinha esse sistema de copias de DAT pra CD. Saímos de Porto Alegre, com o primeiro registro em cd da banda Repolho, para que dele fossem feitas as cópias em fita cassete para serem distribuídas via correio ou lojas de disco.

Pois bem o processo todo foi dificultoso e muito mais complexo do que as fitas demo anteriores. Ainda tínhamos que voltar pra Chapecó, criar a arte da capinha da fita etc etc. E aí que a coisa complicou. Era um transição das tecnologias analógicas para o formato digital. Foi tanto esforço que quando chegou a hora de distribuir, a fita ficou parada. Não foram muitas cópias feitas. Mas as que foram distribuídas tinha no lado A a “Campo e Lavôra” fechando um total de quase 30 minutos de música e no lado B a fita A Horta da Alegria de bônus. Enquanto a segunda demo tínhamos contabilizado cerca de 1000 fitas oficiais, saída das nossas mãos, gravadas, montadas capinha recortadas a mão, da “Campo e Lavora”, acredito que chegamos a fazer umas 300 cópias no máximo.

Baixe a demo “Repolho – Campo e Lavôra” aqui:

http://demo-tapes-brasil.blogspot.com.br/2013/09/repolho-campo-e-lavora-1995.html

mapa das músicas - organização do estúdio

mapa das músicas – organização do estúdio

Ainda sobre a capinha, tivemos o auxilio do Nelson Akira Fukai que fotografou a banda, o Cleandro Tombini que nos desenhou para o encarte e Júlio Mendes (que havia tocado baixo com a gente num interlúdio entre uma saída e volta do girino pra banda). Na capa a presença física e espiritual de Eric Thomas. Uma foto tirada nos altos da Getulio Vargas nos tempos de rebeldia adolescente. Fizemos uma montagem colocando uns repolhos de fundo. A montagem é tão boa que nem se percebe a montagem. O logo foi re-estilizado pelo Girino a partir de uma ideia original do Cleandro Tombini (artista responsável pelos momentos gráficos da banda e pela excelente criação do brasão da banda com um colono e duas enxadas).  O tom colorido carnavalesco kitsch dão o tom visual de um momento explosivo esteticamente e que pode ser conferido ao vivo aqui no show no curupira (citado acima):

Último dia da Mostra Cine Oeste – lançamento do Clipe e Show pocket da banda John Filme.

Por: Roberto Panarotto

Quando eu fui convidado para organizar a última noite do Cine Oeste, pensar o videoclipe como forma audiovisual foi ate óbvio, porque já tinham quatro dias do evento organizados contemplando os outros setores audiovisuais. Por isso vi na proposta uma ótima oportunidade para: – Contextualizar a produção de videoclipes na região. – Lançar o videoclipe da banda John filme (que estávamos finalizando). –  Lançar o Unocultural 2015. Conversei com algumas pessoas e percebi que seria legal uma noite pra se pensar o videoclipe como manifestação audiovisual. Mas todos esses clipes estão no Youtube. Alguém realmente se interessaria em ficar vendo videoclipes num teatro? Comecei uma pesquisa identificando a produção de videoclipes da região, partindo das bandas alternativas e que pensam musicas autorais. Foi fácil traçar esse caminho até os dias de hoje, porque nas décadas anteriores a década de 2000, pouca coisa foi produzida, e tudo o que foi feito posteriormente está no Youtube acessível a todos. Entendi que tínhamos que contextualizar o surgimento do videoclipe, o principal canal de veiculação de videoclipes do passado, a MTV e o atual que é o Youtube. Com esse documento em mãos tínhamos praticamente um roteiro de algo audiovisual. E foi assim que surgiu a ideia de abrir o evento com esse material, que acabou sendo gravado/produzido com a ajuda da UnowebTV e sob a direção e organização do Fernando Sbeghen (Maninho) Algumas constatações relevantes para essa evolução do videoclipe na região: – A facilidade tecnológica; – Envolvimento do curso de Audiovisual da Unochapecó, ou de pessoas ligadas ao curso em boa parte das produções. JOHN FILME A banda encarregada de encerrar o evento Cine Oeste foi a John filme que faria um pocket show. Nada mais propício ter uma banda com o nome John Filme para encerrar uma mostra de cinema. Como a noite toda acabou sendo pensada para acontecer audiovisualmente, com esse material de abertura falando de videoclipe (cerca de 18 minutos) o lançamento do videoclipe da Música Dói em Mim, a John filme entrou no clima e acabou pensando uma apresentação diferente. A banda John Filme tem em sua essência a possibilidade/vontade de modificar suas apresentações. Liberdade essa, que só estando no meio alternativo para poder se proporcionar. E a banda sempre se proporciona esse tipo de modificação, seja no formato/integrantes ou até mesmo na proposta/temática do show. A banda começou instrumental e tinha um baixista fixo. Com a saída do Gringo, a banda passou a ser uma dupla, aos poucos inseriram um vocal aqui e outro ali.  Eventualmente o He Man (baixista da banda Os Marmotta de Porto Alegre e produtor musical) participa de alguns shows tocando baixo. Já fizeram shows explorando possibilidades eletrônicas, eventualmente compondo músicas especificas e que acabaram sendo executadas somente naquele show. Outra característica da John Filme é o fato de que os dois integrantes são multi- instrumentistas e isso possibilita que eles não somente invertam os instrumentos no show para alguma performance específica, mas também já tinham feito shows tocando somente com duas guitarras numa exposição de arte. Também fizeram um show de uma hora tocando uma única musica de forma pulsante e ininterrupta. Conversando com a John Filme, sugeri que  em se tratando de um pocket show, eles pudessem pensar uma apresentação um pouco diferente. Não tendo esse compromisso de ser um “show” e ainda nesse contexto, motivados pela ausência física do baterista, eles pensaram uma apresentação audiovisual, meio ao vivo, meio gravado, meio pocket meio microondas. Um “Filme da John Filme Show” ou um “vídeo show filme”, enfim… uma performance audiovisual. E assim o foi feito, quem esteve no Sesc pode ver um filme de meia hora onde Akira  presente, interagia com o vídeo, proporcionando muito mais do que música todo um “mise en scene”. Em determinados momentos a narrativa saia da tela e assumia o palco, músicas eram executadas com o baterista Nando Paludo tocando no vídeo e o guitarrista Akira no palco. Proporcionando ao público uma experiência sensorial diferenciada. Quem esteve presente se divertiu com as novas possibilidades e que ao meu entender poderiam ser incorporadas ao repertorio da banda como formato de show. Foi tudo muito simples, mas difícil de explicar. E no melhor estilo “resgatando as origens do cinema”, foi feito uma mostra do vídeo com a banda (pelo menos uma parte dela) tocando ao vivo em cima de bases pré-gravadas de áudio e vídeo. Nesse sentido foi encerrada a mostra Cine Oeste e ter uma banda com o nome John Filme parece até uma ligação cósmica.  Ainda sobre a CineOeste, foi uma aposta dessa nova equipe do SESC, pensando justamente nessa intensa produção audiovisual que acontece na região oeste. Foram 5 dias de evento, mostrando filmes em vários formatos e estilos, demonstrando que a força audiovisual se concentra nas ideias e vontade de fazer algo independente do formato. Segundo informações dos organizadores a mostra foi um sucesso de público, críticas, comentários, likes e compartilhamentos. Mas tem muito material a ser exibido que não foram exibidos nessa edição e com certeza vai ser realizada uma segunda edição em breve. Sobre o Unocultural em breve estaremos divulgando novas atividades e datas. Fique atento ao facebook e acompanhe. John Filme – Video-show-pocket – música 01 de 03 John Filme – Video-show-pocket – música 02 de 03 John Filme – Video-show-pocket – música 03 de 03

Mundo Delay – Uma Grande festa, um grande evento!

Venho há um tempo acompanhando (mesmo que muitas vezes a distância) os eventos que a Delay vem realizando em Chapecó. E, desde os primeiros momentos achei legal a ideia de se fazer um grande evento de rock, um festival… algo que contemplasse as bandas locais, mas sempre na lógica de trazer bandas desse cenário alternativo e pulsante. Esse mesmo cenário que cresce e se fortalece a cada ano. Pois bem,  Mundo Delay saiu do papel, das ideias e virou um evento que aconteceu na Moai em Chapecó, reunindo 9 bandas num único dia e hoje é mais fácil de entender o que foi pensando e o que aconteceu e como as coisas podem evoluir.

Mesmo, já tendo vistos alguns dos shows anunciados, principalmente os de bandas locais, e conhecendo pouco das bandas de fora, resolvi comparecer, porque festival sempre é legal pelo formato, estilo, troca de informações e energias mil e também pra conhecer bandas novas. Você paga ingresso pra ver as bandas que quer ver e acaba vendo “no pacote” as que não queria ver e muitas vezes se surpreende e acaba conhecendo coisas novas.

Fui, sabendo que não ia ficar até o final, tinha me organizado pra ficar até que a minha paciência acabasse ou o meu cansaço me vencesse.  Cheguei cedo, era quase seis horas da tarde e a primeira banda, “Capivalium” já havia se apresentado abrindo as festividades. Conforme a divulgação, os shows estavam atrasados em uma hora.  Achei normal, porque quando se propõe algo diferente, tem que prever e saber lidar com questões culturais. Se for pensar por esse aspecto, um atraso de uma hora é normal e até previsível. Quando cheguei já tinha um público bacana e isso foi uma surpresa, quer dizer, as pessoas entenderam a proposta e foram cedo.

A primeira banda que eu vi tocar, foram os Durangos. Já vi outros shows da banda e sempre me pareceram performances sinceras e vigorosas. Um som pesado, mas eventualmente mesclando alguns momentos mais melódicos. Aproveitaram o evento e lançaram um novo single e caixinhas de fósforo para o público.

jef

A terceira banda do dia foi o Jéf, que na verdade é o cantor Jérferson Souza, que conquistou (vem conquistando) a mídia e a fama depois de aparecer e vencer o programa Breakout Brasil (apresentado pelo Edu K – Defalla) e assinar contrato para gravar um disco pela Sony Music. A base do show é ainda do primeiro disco lançado em 2012. São canções mais intimistas e o show começou devagar, nesse clima mais introspectivo. Numa dinâmica interessante, mesclando novas canções e com uma pegada diferente, o show foi se intensificando e crescendo até terminar de maneira mais explosiva e empolgante. Jéf sempre comunicativo, transpareceu a simplicidade que conquistou a todos no programa. Não se importou muito com o pouco público e ia conversando quase que de maneira individual com as pessoas que ali estavam e já demonstravam conhecer o repertório e cantando algumas de suas músicas. Em certo momento tocou um trecho da música “Benga em Chapeco” dos Irmãos Panarotto (disco 2Violão e 1Balde), numa referência a cidade e se desculpou por ter errado uma parte. Sem grilo a musica é errada mesmo.

red tomatoes

Logo depois vieram os Red Tomatoes e encantaram a todos com o seu rock no (quase) carnaval. A banda completou 20 anos ano passado (prometi um texto sobre isso, mas deve sair em breve). É um show animado com composições novas e velhas canções conhecidas do público. No final fiz uma participação na música “Gosto de Garotas” que faz uma citação de uma música do Repolho e do Pink Floyd. Era pro Roger aparecer também, mas ele tava cantando “inútil a gente somos inútil”, e não pode comparecer.

A Epopeia ao meu ver, vem a cada show surpreendendo. Gostei da apresentação e o público já estava mais “quente” e próximo quando a banda subiu ao palco.  Isso sempre ajuda e a banda acaba se empolgando mais. É perceptível, que, pelo fato de tocarem mais, estão mais entrosados enquanto execução, performance e show de uma forma geral. Uma banda muito bacana que com o tempo soube conquistar o seu espaço. Eles não tocam muito, mas quando tocam sempre fazem excelentes apresentações, como foi o caso desse show no Mundo Delay. Aproveitaram para lançar e divulgar o primeiro dvd “a vida é agora” lançado final do ano passado em Chapecó.

epopeia

Wannabe Jalva eu não só não conhecia, como nunca tinha ouvido falar e muito menos ouvido algo. Normal, véio na internete sempre tem dificuldade de entender onde que estão as bandas novas e quais valem a pena ouvir. Fiquei pra ver e de cara me chamou atenção a potência de uma performance profissional e organizada. É tudo tão certinho que em determinados momentos parece engessado. Lógico, que isso dito, por este que vos escreve e que curte um erro aqui e um improviso ali. Mas gostei muito da maneira com que eles se comunicam com o público, das músicas e do clima dançante e agitado do show.

A minha meta era ficar até o show dos Variantes (pelo menos), mas não guentei o tranco, as costas começaram a trincar, sai sorrateiramente e de forma muito rápida. Outro detalhe que me chamou atenção. Entrei rápido e sai rápido de um evento em Chapecó. Porque já cansei de ficar em fim de festa esperando até uma hora na fila pra pagar a comanda (o que me faz pensar várias vezes antes de sair de casa pra ver qualquer coisa).

O saldo no meu entender foi muito positivo em vários aspectos. O lugar é muito legal, e possui infraestrutura bem bacana, mas gostei muito de como as coisas foram organizadas pela Delay, desde a entrada, sinalização, comida, bandas e atrações do evento… Mas por ser uma primeira vez do evento, o Mundo Delay já nasceu grande.

Lógico que sempre vão existir um probleminha aqui e um outro detalhe ali para ser resolvido, mas acredito que são ajustes que só ajudarão a afinar ainda mais o evento nas próximas edições

Independente disso, foi um primeiro passo importantíssimo para consolidar o cenário local de banda de rock e de eventos. Parabéns a Angélica pela iniciativa coragem de fazer a coisa toda acontecer. Que venha a próxima com uma expectativa muito maior.

“Sai de casa para assistir Plástico e voltei ouvindo Ry Cooder”

texto por: Valdemir A. Oliveira – Professor da ACHJ (Unochapecó) – mestrando em educação.

plastico - filme 02

Havia muito tempo que não saia do conforto de meu sofá para ir ao cinema ou assistir alguma produção quer fosse teatral, poética ou qualquer outra. Alienação… comodismo… preguiça… escolha você. Entretanto a possibilidade em assistir Roberto Panarotto quebrou a rotina. “OPA!!!!” Característica do universo linguístico chapecoense e oestino a interjeição, assim colocada, não o está por acaso… E foi assim que me senti… OPA!!! “tudo bem e você”, “me desculpe”, “espanto”, “tem algo diferente por aí”.  Em “Plástico” a irreverência peculiar de Roberto Panarotto cede lugar a uma sensibilidade própria daqueles que respiram e transpiram arte pelos poros sem muito esforço. O estilo de “quase sempre”, a bermuda, a camisa grande e a barba também, embora embranquecida… grisalha… experiente… mais “velha”.

Creio, arriscando no equívoco da suposição, que seja isso, o tempo expõe em “Plástico” um diretor desnudado, uma nudez universal e um sentimento de retorno ou quem sabe de pertencimento.  Se a personagem da ficção interpretada por Kassio Canan vive o drama entre as quase partidas, em quase lugares o diretor parece, aos meus olhos, retornar ao lugar de onde insiste, mesmo que “negado” muitas vezes através de suas irreverências, em permanecer. A sensibilidade com que Panarotto produz o filme conduz o telespectador, guardadas todas as proporções, a Holden Caulfield de Salinger na primorosa obra literária “O apanhador nos Campos de Centeio”. É como se a personagem, movida por um constante estado de intermitência, procurasse romper com a inocência que insiste em permanecer mesmo que a contragosto. A cidade que não se faz cidade, os edifícios que brotam “transgênicos”, o arfar do peixe que definha, a paixão “inventada”…  angústia, a monotonia no lamber repetitivo da proteção “plástica” do pote de iogurte… a doce, melancólica, poética e, as vezes, sutilmente satírica trilha sonora, um quase amor “Lolita” de Nabokov.   Assistir “Plástico” é como sentir um saco plástico, que nas brincadeiras de criança permitia, ao vendar os olhos e impossibilitar a entrada do ar, a sensação de ser “outros” que desejam furiosamente sair, mas insistem em ficar. Plástico não é um filme sobre uma história tão pouco uma produção “caótica”. Ao contrário, está no universo daqueles textos que nos fazem sentir o tempo todo como seres de fronteiras, nas margens e nunca nos centros. Se em Lolita Humbert rotula a si mesmo como o “louco” que toma para si a infância de Dolores, em “Plástico” a personagem de Kassio ao deixar Isabel e assumir a partida, metáfora da “morte” ausência anunciada, liberta também os outros, o tempo, o lugar de uma presença que não pertence a lugares ou tempos marcados e definidos, quem sabe aí resida a universalidade da produção. Plástico nos faz perceber que estar nas fronteiras significa também a possibilidade de estar em todos os lugares ou em lugar algum, ora protegido ora desprotegido, ora em êxtase ora em profunda desilusão. A monotonia nos pontos de ônibus incrivelmente desabitados aos olhos da personagem,o ônibus que jamais chega… a espera angustiante. A descoberta do amor, a rotina… o partir, mais uma vez o peixe… a água e a geladeira lugar em que buscamos algo que nunca está. O andar. Plástico, em meus olhares, é o “útero” que gestou a “maturidade intelectual” de Roberto Panarotto, é como se a obra representasse metaforicamente, através de ações e de um enredo beirando o psicodelismo, as descobertas e desencantos do próprio autor magistralmente apresentados na Sinopse.

plastico - filme 01

“Eu queria que aquela sensação durasse eternamente. Mas não é assim que acontece. As coisas nem sempre saem como planejamos. É assim com todo mundo. É assim com você. E comigo foi assim também. Quando os jardins se bifurcam optamos sempre pelo lado errado.”

Em 31 de outubro de dois mil e quatorze no teatro, em algum lugar, passou Salinger, passou Wenders, passou Lynch, passou Panarotto, passamos Nós, passou “Plástico”. Fiquei tomado por profunda e bela comoção.

Valdemir A. Oliveira – Professor da ACHJ (Unochapecó) – mestrando em educação.

Epopeia – A vida é agora!

epopeia01

Por: Roberto Panarotto

O rock e o cinema sempre flertaram de maneira plena. Não à toa as duas formas artísticas se unirem como consequência de algo que parecia ser, muito mais do que lógico, inevitável.  Desde os primórdios do rock essa relação já se estabeleceu gerando ótimos e grandes resultados. Com o acesso facilitado as novas tecnologias de produção o rock chapecoense também passou a acompanhar esse fluxo e pensar dessa forma. Se antes tínhamos dificuldades de estabelecer uma proposta visual em movimento, hoje isso se tornou algo muito mais acessível.  Seja através do registro ao vivo, videoclipes ou então um filme musical. Quem está se aventurando nessas novas possibilidades audiovisuais é a banda Epopeia que lançou recentemente em DVD “A Vida é Agora”, gravado e produzido em Chapecó.

A proposta foi simples e legal: realizar/registrar uma apresentação com poucos convidados (amigos em geral) em um local bacana. O diferencial está na forma como isso foi feito, gerando um resultado sensacional. O cenário dessa incursão musical cinematográfica foi a mística e já lendária casa dos sete andares. Construída em meio às arvores num morro no interior de Chapecó, a casa foi pensada de maneira totalmente orgânica, espontânea, com materiais recicláveis e respeitando em sua estrutura/essência o meio ambiente. Da estrada de terra, fica difícil de ver a casa, mal conseguimos ver o pico mais alto que é um píer, que quando nele, proporciona uma vista sensacional.

epopeia 03

A gravação aconteceu num domingo a tarde em meio a natureza e o clima não poderia ser melhor. Fui um dos convidados e pude acompanhar uma boa parte desse processo todo. Mais do que estar presente, sempre é legal ver o que se capturou em essência e como se transformaram aquelas horas e horas de gravações. Nesse sentido o olhar atento das câmeras desempenharam um papel interessante porque foram utilizadas com uma liberdade total ao explorar não somente a banda, mas esse clima de sensações que se criou em torno. Uma perfeita harmonia entre a natureza/casa/banda/musica/sons. Foram registradas oito canções, dentre as quais, três novas composições “algo novo pra lhe dizer”, “diferente de você” e “a vida é agora!”. Eles entenderam a lógica do local e se (nos) proporcionaram essa interação. A câmera ouve um som e adentra o portão de maneira furtiva como se instintivamente seguisse o fluxo natural do som. Um clima total de paz e tranquilidade, abalado apenas pelos acordes mais pulsantes dos sons que urgem em meio a floresta. Da estrada percebíamos os gritos do rock em meio a natureza que acabavam formando uma paisagem, como se tudo fizesse parte do mesmo ser. A Epopéia conseguiu traduzir um estado de espírito muito bom, trazendo esse lado mais sensorial da música em imagens, transpondo as barreiras e possibilitando outro tipo de interpretação e sacações.

epopeia 02

O cuidado com todos os detalhes é que fazem a diferença quando vemos o resultado final. E fica difícil falar do DVD sem se referir a espacialidade como um todo. Essa fuga dos meio normais e tradicionais de se realizar uma apresentação é apresentado de forma muito bacana nesse novo lançamento do Epopeia, uma espécie de “live at Pompéia” chapecoense. Traduzindo a essência da banda e também de um lugar fantástico e quase surreal que é a casa dos sete andares. Complementares as relações estabelecidas e não poderia soar de forma diferente. Não poderia haver casamento melhor. E como eles sempre dizem, que a epopéia continue sempre receptiva e incorporando novas possibilidades.

ouça aqui:

https://soundcloud.com/epopeia

http://epopeiarock.blogspot.com.br/

http://bandaepopeia.tnb.art.br/

Cachorro Grande lança seu novo disco “Costa do Marfim”

Cachorro Grande - Costa do Marfim 1

—prepare-se para viajar de volta pro futuro—

Por – Roberto Panarotto

A Cachorro Grande está a um passo além do amadurecimento… musical e conceitual. Apodreceu então? Envelheceu com saúde? São as perguntas que se fazem quando vemos o tempo passando e as bandas se modificando, envelhecendo ou evoluindo… É melhor ser jovem inconseqüente, explosivo, criativo ou alguém com sabedoria e rancor dos velhos?

Cachorro Grande não é uma banda tão velha, mas construiu em pouco tempo momentos significativos nesse cenário musical da década de 2000. Eles (os integrantes) já tinham estrada quando montaram o grupo e, de maneira inteligente, souberam entender cada um dos momentos e das fases que a banda poderia ter ou atravessar. Pra mim que acompanho desde o início fica clara a percepção desses momentos: a explosão dos primeiros discos, a passagem do alternativo para uma gravadora, a saída do Rio Grande do Sul para o Brasil, a despedida das quebradeiras físicas para as quebradeiras conceituais, e o flerte com a música eletrônica, preparando o território para este disco chamado “Costa do Marfim”.

Não é ocasional isso. É reflexo de uma carreira muito bem pensada. Sim. Eles sabem o que fazem e como fazem para sobreviver ao marasmo da música/rock nacional e apresentar alternativas.

Nos dois últimos discos lançados por eles era perceptível certo comodismo. São discos legais (apesar de não gostar muito do “Cinema”). Até brinquei, em uma das vezes que eles tocaram em Chapecó, que já tinha visto muitas fases legais da Cachorro e não iria ver a fase decadente da banda, por isso não iria no show. Não que realmente achasse aquele momento decadente, mas achava muito a mesma coisa. Uma repetição de discurso e sensação que a coisa toda tinha estagnado. Seria fácil pra eles, que tem um número X de hits, continuar o resto da vida se apoiando nos hits e não proporcionar algo diferente para o seu público e para eles mesmos.

Cachorro Grande - Costa do Marfim 3

Mas não, eles não pensam assim e o novo disco “Costa do Marfim” vem justamente pra mostrar uma nova faceta da banda e chutar bundas acomodadas. “Costa do Marfim” está sendo lançado prioritariamente em vinil pelo Selo 180 (também responsável pelo lançamento do disco anterior e de um compacto em vinil inédito), mas está disponível para download na apple store e também (ainda) vai sair em CD a partir do dia 15 de setembro.

Aliados a um status/carreira construída/consolidada dentro desse cenário nacional, sem gravadora e com total autonomia para gerenciar a sua carreira de forma ímpar, eles conseguem com esse álbum injetar um novo gás na banda. Chamaram para essa empreitada o produtor Edu K e pensaram um álbum conceitual ao extremo. Sim, os puritanos, os acomodados, os conservadores vão reclamar… talvez não vão entender. Mas quem ouvir atentamente vai perceber que nesse momento acontece uma pequena explosão criativa pronta para atingir maiores proporções assim que lançado/assimilado.

Se trancaram durantes algumas semanas na “Costa do Marfim”, como foi divulgado amplamente durante as gravações, para então extrapolar. Sem se preocupar se o disco iria tocar na rádio ou no caminhão do Faustão. Pensaram num álbum novo, moderno, talvez despretensioso. Atualizaram o som e a mudança é significativa, principalmente na intensidade dos momentos eletrônicos. Mas não pense que você vai ouvir um disco eletrônico. As mudanças são inúmeras, é visível isso no jeito de tocar e cantar também. Está tudo muito bem equilibrado e cria uma sintonia muito bacana com esse novo momento da banda. Mas o legal é que a surpresa da primeira audição passa logo e até assusta um pouco, mas no decorrer do álbum percebemos o bom e velho Cachorro Grande latindo mais uma vez.  Diria que é uma sensação parecida de quando encontramos aquele velho amigo que mudou radicalmente o visual, cortou o cabelo, tomou banho, passou uma fragrância diferente. E isso está no próprio conceito de capa, fotos de divulgação (feitas pelo Cisco Vasquez), materiais gráficos e videoclip (dirigidos pelo Charly Coombes). A repaginada é geral. O nome da banda sequer aparece na capa. E não precisa mais. Atingiram um status que proporciona essa liberdade.

O disco tem 11 faixas, sendo que duas delas são vinhetas, uma introdutória e uma de encerramento, amarrando o disco conceitualmente. Dentro dessa lógica vemos (ouvimos) um Cachorro Grande mais experimental e que não se preocupa com o tamanho das faixas. Tem músicas que chegam a ter mais de nove, dez minutos. Explorando uma percepção sinestésica diferenciada, criando climas e ambientações psicodélicas. O Gross disse que se antes eles faziam um rock de bêbado, agora fazem um rock “psicodélico eletrônico, de bêbado”.

Cachorro Grande - Costa do Marfim 4

A primeira música do disco (fora a intro) é mais climática, percebe-se uma ousadia conceitual, a vontade de fazer algo novo, de mostrar uma nova cara. Com mais de dez minutos de duração e uma longa introdução eles vão aos poucos mostrando a que vieram com essa proposta. O vocal só entra em cena aos 2:45 min. Entre ruídos eletrônicos e sons extra-sensoriais eles introduzem o disco de forma interessante.

A faixa seis com o nome “Use o Assento Para Flutuar” cria um link conceitual com o primeiro disco solo do Marcelo Gross, de mesmo nome. Mas não tem nada a ver. Enquanto no disco solo Gross vai para o passado, o disco novo da Cachorro é focado no futuro.

A produção do Edu K esta sensacional. É perceptível o nível de imersão sensorial de barulhos e ruídos eletrônicos.  E também, que a sua influência e participação, não mudou a essência da banda. O disco foi masterizado por Tim Turan, em Oxford, Inglaterra. Se nos discos anteriores era mais perceptível as fases e referências, nesse novo lançamento a coisa se torna mais intensa e abstrata. Porque a mistura é muito maior, e sendo mais ampla diluiu melhor as influências. Uns vão ver um Kraftwerk do futuro, outros podem ver um Kasabian do passado. Mesmo com essa pegada eletrônica, é fato de que tem uma super-banda tocando junto o tempo todo. Mesmo nos momentos mais lentos a banda está pesada e as músicas consistentes.

Dentro do repertório é possível perceber também a força de canções mais pop, como por exemplo a faixa dez “O Que Vai Ser”, ou então “Nuvens de Fumaça”, que poderiam muito bem embalar qualquer festinha pop-cult-matinê ou tocar nas rádios mais comerciais. Nesse sentido o disco também apresentam viagens mais radicais, como por exemplo a faixa “Torpor parte 2 e 5”, uma longa narrativa interminável, sobre uma insana história que aconteceu em Passo Fundo (ou não), com um clima noir e uma voz carregada e rouca, sugerindo imagens cinematográficas mil.

A minha curiosidade é entender como o público vai reagir a isso ou então como vão soar essas músicas ao vivo, somado ao repertório anterior. Valeria a pena ver um show de lançamento com a banda tocando o disco na íntegra e na sequência. Em conversa com o Gross ele comentou que estão armando um grande show de lançamento (dia 10 de outubro no bar Opinião em Porto Alegre) priorizando essa nova fase, em que a apresentação vai ter (espécie de) capítulos contemplando cada uma das fases. Enfim… “Costa do Marfim” é um marco na história da Cachorro Grande e consequentemente na história do Rock nacional. Ouça e tire suas próprias conclusões.

 compre o vinil aqui:

http://www.selo180.com/cachorro-grande-costa-do-marfim/

 Compre a versão digital aqui:

https://itunes.apple.com/album/id909507099

Cachorro Grande – Costa do Marfim

Lançamento: 15 de setembro de 2014

Número de Catálogo: 180-2×12/007

Dimensões: LP Duplo de 12 polegadas

Rotação: 45 rpm

Sistema de Reprodução: Estereofônico

Gramatura: 180 gramas

Tecnologia de Corte: DMM

Prensagem: GZ Vinyl (República Checa)

Tiragem: 500 exemplares

Edição limitada & numerada: 100 exemplares em vinil colorido (verde haxixe)

Material Gráfico: capa dupla (gatefold) & encarte duplo (60 x 30cm) frente e verso.

Faixas:

A1 Costa do Marfim (Cachorro Grande / Edu K) [1:10]
A2 Nós vamos fazer você se ligar (Beto Bruno / Marcelo Gross) [10:54]

B1 Nuvens de fumaça (Marcelo Gross) [4:50]
B2 Eu não vou mudar (Beto Bruno) [6:20]
B3 Crispian Mills (Rodolfo Krieger / Edu K) [4:58]

C1 Use o assento para flutuar (Beto Bruno / Gabriel Azambuja) [6:09]
C2 Como era bom (Beto Bruno / Rodolfo Krieger) [4:55]
C3 Eu quis jogar (Marcelo Gross) [4:30]

D1 Torpor partes 2 & 5 (Beto Bruno / Edu K) [8:19]
D2 O que vai ser (Marcelo Gross) [5:06]
D3 Fizinhur (Cachorro Grande / Edu K) [1:01]

Produzido por Edu K.

Trompete em “Torpor partes 2 & 5″: Ricardo Spencer.

Backing vocals em “Eu quis jogar”: Denise Gadelha e Nina Cavalcanti.

Fotografia e Capa: Cisco Vasquez.

Gravado no estúdio Madeira, na Costa do Marfim, durante o verão de 2014.

Masterizado para formato analógico por Tim Turan, em Oxford, Inglaterra (2014)