Arquivo para fevereiro \16\UTC 2012

Nem tão Black e muito menos Sabath (Medina, Godard, Bardot e outros Osbournes de plantão).

Sim, estou me referindo a reunião das forças dos integrantes originais em torno de um dos maiores (quiça o maior nome) do metal de todos os tempos. Mas também estou falando de propriedade intelectual, o fechamento de sites que compartilham esses arquivos e as novas formas de ver entender e respeitar os novos mercados que se abrem com esse compartilhamento.

O Sabath negro que paira sobre todos. E insiste em nos perseguir.
Pensando dessa forma é engraçado perceber como as pessoas se juntam em torno de algo que já foi importante conceitualmente, mas que hoje talvez não represente tanto. Mas lógico que com tanta coisa ruim no mercado é importante que os nomes de peso de Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler (menos o baterista Bill Ward) se juntem novamente. Minha fase de ouvir metal já passou, mas sempre que identifico algo novo que vale a pena, continuo curtindo e me relacionando bem com a cousa toda, porque ao meu entender: não é samba nem pagode, nem chorinho e nem macumba… (fazendo uma citação aos irmãos Panarotto na Música “Chamando Chuva”) é música. O que me deixou muito mais interessado foi na maneira com que a maior banda de metal de todos os tempos se relaciona com isso tudo. Estou acompanhando, é impossível não ler algo a respeito. A mais recente notícia mostra a banda discutindo com o baterista o porque ele não quer voltar pra banda. Mas o que me chamou a atenção foi a frase final da declaração do três integrantes: “Nós ainda estamos na Inglaterra com Tony, escrevendo e gravando o novo álbum… Vemos vocês no Download!!”
“Vemos vocês no download!” é uma frase sensacional. É o que me motiva a querer baixar/comprar o disco. Perceber que a volta é comercial e que o Ozzy Osbourne precisa de dinheiro para comprar novos luxos para os filhos retardados e para esposa. Mas também nos dá a sensação de que tudo vai ser diferente, que eles aprenderam a ser gente, e que o orgulho não vale nada. Quem sabe venha um grande disco conceitual e não somente algo calcado na necessidade financeira. Até porque se eles fizerem um disco foda ou xumbrega, não vai interferir diretamente na venda de ingresso dos shows. E ao meu entender é nos shows que eles vão ganhar MUITO dinheiro. Que sirva de lição. Quando se esta afogando, não queira lutar contra a correnteza. Use ela a favor.
Leia a matéria do omelete aqui:
http://omelete.uol.com.br/musica/reuniao-do-black-sabbath-nao-tera-bill-ward/

E a próxima qualé bisonho???
Continue lendo o assunto é o mesmo, mas vou usar o exemplo de Diego Medina e a Suma discos.
Diego Medina é um artista gaúcho que ao meu entender é completo. Acumula a sapiência de não precisar de ninguém para pensar sua arte. O maior problema de quem quer ser alternativo é a dependência de alguém. Porque esse alguém sempre atravanca o movimento todo, com lerdeza, incompetência ou falta de pratica. E nesse sentido Medina não depende de ninguém. É um baita músico e flexível, é um compositor de mão cheia. Muito mais do que isso, ele mesmo grava e produz seus discos. Mas e a capa e a distribuição??? Medina é ilustrador e artista gráfico,  e com o passar do tempo aprendeu a compartilhar sua obra através do seu selo o Suma Discos. Esta tudo ali é só acessar: http://www.sumadiscos.com/. O que ele quer fazer ele vai e faz. Independente do gosto do publico, se vai vender ou se não vai, se é tendência de mercado ou não. Ele sabe explorar o talento que tem em termos artísticos lançando projetos sensacionais e que são pop e outras podreiras afins que são insuportavelmente sensacionais, e quase impossível de ouvir na seqüência, primeiro pela quantidade e segundo pela intensidade conceitual. Estava vendo no facebook que ultimamente virou ferramenta de uso freqüente na mão dos idiotas. Lá Diego Medina se manifestou sabiamente: “mais um que cai. (se referindo ao Btjunkie), baixei muita coisa de lá e de outros sites de torrents. Assim como baixei coisa pra caralho de megaupload, filesonic e cia. Só que eu também comprei muitos DVDs e CDs por ter visto / ouvido de graça antes. gostei tanto que fiz questão de ter o produto original.”

O desprezo de Jean Luc Godard.
Se até o Godard que é um velho chato sensacional e velho e chato… se manifestou a favor ao compartilhamento das propriedades intelectuais. É no mínimo interessante perceber que o mundo é de quem compartilha algo.
Godard, diz: “No es de dónde tomas las cosas, es a dónde las llevas” e continua dizendo: “Estoy en contra del Hadopi (la ley francesa de coyright en internet), obviamente. La propiedad intelectual no existe, estoy en contra de la herencia (de obras), por ejemplo. Los hijos de un artista podrían beneficiarse de los derechos de autor del trabajo de sus padres hasta que cumplen la mayoría de edad… Pero después, no me queda claro porque los hijos de Ravel deben de obtener ganancias del Bolero”.
Godard é mestre, aproveito o ensejo e exercito aqui a minha imaginação ao criar uma cena em que Godard tentando convencer a Brigitte Bardot a compartilhar suas propriedades intelectuais. Sei que é idiota, mas vou me proporcionar esse momento Monty Phyton do terceiro mundo. Afinal de contas o blog é meu e quem manda sou eu, e nem sei se tem alguém que consegue em tempos de twitter e facebooks afins, ler um texto longo.
O Godard – Olha Brigitte, você vai estar no meu próximo filme e vai ter que tirar a roupa.
Tradução oestina: to gravando uma fita e tu vai te que fica pelada.
A Brigitte. Missie Godard???
Tradução oestina: Ma Che, que qué tchó???
O Godard – Tu tem que compartilhar essa propriedade intelectual com o universo. Essa pujança não pode ser exclusividade de um único ser. A humanidade precisa de você.
Tradução oestina: Vai fica regulando La mixarria.
Brigitte. Oui missie Godard.
Tradução oestina: Crim loco!!! É nóis!

Leia o texto do Godard no link abaixo.
http://pijamasurf.com/2010/09/el-cineasta-jean-luc-godard-dona-en-defensa-de-pirata-de-mp3-no-existe-la-propiedad-intelectual/
Traduzindo em miúdos eu fico com a sabedoria do Godard, do Ozzy Osbourne e do Diego Medina. E que se foda a sopa. Sempre falei que sopa não era comida. E tenho mais um motivo pra me manifestar contra.

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