Arquivo de junho \21\UTC 2012

Floripa Noise – El Noventon, Repolho, Graforréia, Melda…

Quatro bandas. O primeiro dia da quarta edição do Floripa Noise. Um evento que vem consolidando Florianópolis no calendário dos grandes eventos/festivais de musica alternativa. E tem de tudo um pouco, artistas de   diferentes estilos e  partes do Brasil e da América Latina, com shows diários em diversos locais da cidade.

Célula

Antes de falar dos shows, é importante falar sobre o Célula. Bar que resiste bravamente, e com o passar dos anos vem se mostrando uma grande alternativa de espaço cultural em Florianópolis. A ultima vez que eu tinha ido ali foi num show da Mallu Magalhães (quando eu tinha uns 15 anos), e diga-se de passagem fui assaltado na saída… mas enfim… se antes o Célula era conhecido como o bar do Gastão da MTV, hoje o Célula virou um complexo cultural alternativo. É muito legal, ver que o espaço evoluiu e hoje, além da possibilidade de shows para 450 pessoas, ampliando para o dobro utilizando  a parte de trás, esta organizado para receber pequenas apresentações de teatro, dança, filmes… e também conta hoje com duas salas de ensaio muito bem equipadas para atender as bandas e artistas em geral. Muito legal a iniciativa de um grupo de pessoas (Xuxu, Alexei, Marcinho, Bruno, Elke e Andrei) que assumiu o local e de forma profissional tem feito a coisa acontecer.

El Noventón y su Orquestra Típica

A noite começou com El Novénton que nada mais é do que o 90, + um baterista (Guilherme), e com um japonês (Kenzo) no baixo… um japonês no baixo??? Deve ser uma data cabalística. Duas bandas na mesma noite com um japonês no baixo. Não pode ser somente coincidência. O japonês em questão veio de Balneário que é perto de Blumenau, terra da Oktoberfest uma festa típica japone… enfim… eles abriram a noite esquentando as turbinas com uma surf music nervosa. O inicio foi muito bonito, 90 vai até o microfone e saúda o público: oi, de maneira singela e elegante. No show eles resgatam algumas canções do Cochabambas antiga banda do 90, que se mantém sempre bem humorado e com comentários engraçados e performance carismática até mesmo na hora de acionar a ala geriátricas dos punks velhos para entrar no clima.

Repolho

O show do Repolho é aquela coisa de sempre, meio quatro queijos meio calabresa. E olha, fazia tempo que eu não via tanta “menina fofa chacundum brega” num show do Repolho. Tantas razoes para se apaixonar…

Da nossa parte é legal de perceber o publico sempre carinhoso, demonstrando isso de varias maneiras, mas principalmente assumindo a colonagem cybernética. O Show foi lindo e com cheiro de bergamota (distribuídas para o publico), e diversos gritos de queremo roque!!!, queremo roque!!!,… e salame, Colônia Cela entre outros. Depois da noite de sábado, acredito que estamos conseguindo transformar Florianópolis num núcleo colonial importado dos alpes suínos.

Legal também é ver o publico se renovando. Pessoas que viram pela primeira vez, mas que já conheciam a banda. Pessoas que ouviam os discos, mas nunca tinham visto ao vivo e um comentário inusitado e propicio de um guri, dizendo que já viu shows melhores do Repolho, que esse, musicalmente tava muito certinho. E olha que a gente se esforça…

Tivemos a participação do 90 na guitarra e foi muito bacana, além de ser um ótimo músico, se encaixa perfeitamente na proposta musical da banda. Poderia ousar dizer que o 90 é um colono de capital. A sugestão de tocar Tyto Livi foi dele (fã convicto). Abrimos o show cantando “Memórias de um Certo Louco”, e o publico fazendo os paparapapara, paparapapara paparapapara ra ra.

O Melda

O Melda foi uma surpresa boa. A banda é um cara só com um i-pad,  bases programadas de bateria, um capacete com chocalhos, uma guitarra retangular e uma performance impar. Aos poucos ele vai emendando um musica por dentro da outra. O Melda veio de Belo Horizonte especialmente para o evento. A dinâmica do show dele foi muito legal, porque terminou o show do Repolho, ele já estava posicionado no mezanino e deu inicio a sua curiosa apresentação. Pena que foi prejudicado por alguns pobremas técnicos no som. Mas mesmo assim, foi muito legal. Com uma performance divertida e letras legais ele vai mostrando ao publico o seu carisma. A musica do fusquinha ele usa muito bem a idéia da buzina de maneira divertida. Com a cabeça cheia de chacoalho ele vai preenchendo os espaços musicais.

Graforréia Xilarmônica

A Graforréia começou seu show de maneira caótica, eles vieram de um show em Passo Fundo e não deu pra passar o som, o inicio foi meio estranho e o som estava meio embolado (mais do que o normal).  Marcelo Birck lembrou que dia 16 é o Bloomsday, feriado nacional na Irlanda (e também no mundo para os amantes da literatura) em função do livro Ulisses de James Joyce. “James Joyce escolheu o dia 16 de junho para ser imortalizado em sua obra porque foi nesse dia em que fez sexo pela primeira vez com sua futura companheira Nora Barnacle, à época uma jovem virgem de vinte anos, apesar de a imprensa irlandesa publicar que nesse dia eles “caminharam juntos” pela primeira vez. Na verdade, Nora teve medo de completar o coito e o masturbou “com os olhos de uma santa”, como Joyce relatou em uma carta em que relembrou o acontecido.( fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bloomsday).

Aos poucos as coisas foram se acuierando e o público presente cantando um sucesso por dentro do outro até a explosão orgástica que é “Amigo Punk”. O publico entra num transe. Não tem explicação. Depois disso, o show vai se encaminhando para o final e vai ficando mesmo quem curte de verdade e uns bêbados tradicionais batendo o ponto e mantendo o pique do show até o final. Lógico que quando a Grafo toca e a gente (do Repolho) tá por perto, acaba subindo ao palco para fazer participações especiais não anunciadas, o Anderson cantou “Grito de Tarzan” e eu cantei a “Técnica do Baixo Elétrico”. Achei o show da Graforreia curto. Pra mim quem já viu muito show, inclusive as festas baile que eles tocavam quatro horas e la vai pedrada, uma hora de show é pouco e acaba ficando de fora muito música. Legal perceber que eles tem um publico muito bacana em Floripa e essa reunião histórica vai acontecendo de maneira muito legal. Assisti o primeiro show dessa nova leva (que aconteceu em Chapecó) e fica claro que eles estão cada vez mais a vontade fazendo que sabem fazer.

No evento, sempre é bom lembrar, reunimos diversos amigos que há muito não víamos, como o Julio Mendes que fez parte de uma das formações do Repolho. A gurizada da Vinil Filmes, que esta fazendo cobertura completa do evento para posteriormente lançar uma registro oficial, com direito a entrevistas e tudo.
Grande noite, grande shows. E a festa continua tem muito mais bandas no Floripa Noise até próximo sábado.

Entrevista – Vinil Filmes

Acompanhe mais da programação aqui: http://www.floripanoise.com.br/

Aqui saíram alguns comentários sobre os shows, fotos e vídeos.

http://www.mundo47.com/repolho-fez-show-antologico-no-floripa-noise/

http://wp.clicrbs.com.br/contraversao/2012/06/18/repolho-fez-chover-na-horta-do-floripa-noise/?topo=67,2,18,,38,67

REPOLHO TOCA NO FLORIPA NOISE – SABADO DIA 16 DE JUNHO.

Juntamente com Graforreia Xilarmônica, El Noventón y su Orquestra Típica e O Melda.

Saiba mais, conheça as bandas e os locais em no site: http://www.floripanoise.com.br/

Acompanhe a Fan Page para informações e coberturas atualizadas: http://www.facebook.com/floripanoise

Matéria no clic RBS:

http://wp.clicrbs.com.br/contraversao/2012/05/25/floripa-noise-2012-anuncia-o-seu-crime/

Mordida e Red Tomatoes – Unocultural proporcionou um final de semana de intensidades sonoras.

Mordida

Mordida se apresentou no sábado dia 26 e reuniu um público que estava esperando ansioso por mais uma apresentação da banda na cidade. A banda que lançou seis Eps (baixe aqui http://mordida.art.br/musica.html) no formato digital lançou final do ano passado o seu primeiro disco oficial intitulado: Mordida 1 (http://mordidaoficial.wordpress.com/o-disco/). O show contou com essas novas canções e canções antigas do repertório da banda.

É impressionante perceber o cuidado que O Paulo hde Nadal tem com os aspectos sonoros da banda.  Parece meio imbecil falar isso, porque toda banda deveria ter essa preocupação, mas no caso do Mordida isso acontece de maneira singular. Paulo é compositor, músico e produtor musical da banda. Isso faz com que ele tenha um cuidado e um perfeccionismo com todos os detalhes e com isso ele acaba tendo o domínio exato e necessário de informação que quer passar para o público. No show ficou claro perceber a atenção que ele teve com todos os detalhes da passagem de som, desde o timbre exato no baixo, para combinar com as bases gravadas, até os detalhes sonoros como um todo. Tudo tem que estar perfeito para que na hora do show as pessoas possam ter uma experiência sonora bem próxima do disco. Isso é comum quando se tem uma equipe grande trabalhando o show. Nesse caso é o Paulo que cuida de todos esses detalhes. Ao contrario do que se possa pensar, no show ele descontrai e explora o maximo as sonoridades em performances precisas e descontraídas.

O show começou com uma base de samplers gravados e ele foi explorando as sonoridades e as dinâmicas do show. Aos poucos tocando musicas novas que o publico ainda não conhecia, e sempre intercalando com sucesso que o publico ajudava a cantar. A banda esteve pela primeira vez participando no programa Estúdio A (que vai ao ar pela Unowebtv) que num novo formato estilo pocket show com seis musicas possibilitou uma outra interpretação da canções da banda. Ali as sonoridades mais estridentes, dos samplers e guitarra, deram espaço pra um lance mais acústico (quase um churrasco).  Uma oportunidade para perceber essa brincadeira das sonoridades, e também para o publico ver a banda num forma pouco visto.

Assista o programa no youtube:

Red Tomatoes

Os Red Tomatoes são uma banda chapecoense que adotaram Curitiba como segundo lar. Eles não vem muito tocar em Chapecó e os shows sempre variam muito. O show do Unocultrual foi especial. Eles criaram uma ambiência bacana e o show começou de maneira inusitada. O publico entrava no teatro e via  no palco o Michel (baixista da banda) jogando videogame. Um atari ligado num TV de 14 polegadas que fazia parte do cenário, mas que estava funcionando. Quando o publico se acomodava a banda entrava em cena e começava a tocar. O cenário perfeito pra banda com inúmeros objetos produzidos por Herman G. Silvani, Ina Neckel e Liza A. Bueno que conseguiram captar a essência da banda  e transmitir para o publico. Com direito a cheiro e tudo, graças aos inúmeros pacotes de bergamota, berga, ou verga espalhados pelo palco. Coisa linda e de uma sensibilidade impar.

berga tomatoes!?

O fator musical proporcionou algo único na carreira da banda. Podemos conferir ao vivo a versatilidade musical que a banda tem em releituras das suas músicas. O show mesclou momentos mais “pesados” com intervenções mais leves explorando violão e piano. O Fernando tocou piano e Silvio tocou violão em algumas músicas e isso gerou uma dinâmica diferente no som da banda. Aos poucos eles iam intercalando momentos mais suaves com outros um pouco mais pesados em termos sonoros. Grande show. Eles também gravaram o Estúdio A, da Unowebtv, que deve ir ao ar no final dessa semana.