Arquivo para março \30\UTC 2012

Roger Waters “Fear builds walls”…

Por: Roberto Panarotto

Acordei, estávamos quase em Chapecó. Pensei, ué, tem algo de errado… Só percebi que foi real porque ainda estava no ônibus e lá fora o nascer do sol proporcionava um começo de dia maravilhoso. Sim. Foi real. Não tem como não pensar… as coisas ainda são muito presentes e os sentimentos estão a flor da pele. Ver o Gigante da Beira Rio pulsando com o espetáculo The Wall, conduzido pelo maestro Roger Waters é algo que não se explica. Tudo foi muito intenso e vale a pena manter essas sensações por alguns dias.

Roger Waters não escreveu um grande tratado filosófico ou criou a cura para uma doença rara e muito menos foi líder político de destaque. Ele criou The Wall – o muro, mas um muro tão sensacional que consegue sintetizar tudo isso e consegue tocar as pessoas de maneira única. Estava com um amigo no show e ele comentou: “É impressionante como ele materializa o sentimento. Você olha, entende tudo, sente tudo, mas não consegue explicar o que foi, porque foi, e como tudo isso aconteceu.” Ou seja é algo que, por mais que você justifique, exemplifique, tente relatar algo, é impossível descrever. The Wall é uma experiência única, nada como você estar presente e presenciar isso tudo, com tudo o que tem direito. É um show pra ver, perceber, sentir, rir, chorar, se emocionar… tudo elevado a potencia máxima, não é a toa a unanimidade de quem viu o show, sair empolgado dizendo que Roger Waters é um gênio.
Vou tentar colocar algumas percepções sobre o que eu vi. Por mais pífias que possam parecer, hoje é mais fácil fazer essa avaliação.

Tudo parece muito simples e o roteiro se concentra em reproduzir as ideias que vem de dentro pra fora. Quando Roger Waters criou isso tudo, falava dele e do sentimento que ele tinha em relação ao mundo. Mas o que se sente ao ver é tão profundo que o muro passa ser um grande espelho onde as 60 mil pessoas presentes se vêem projetadas de alguma forma ou de todas. Respirando o mesmo ar, pulsando junto com cada sonoridade, cada frase musical, cada ruído, cada cor, luz…
Aí é que eu digo que o sentimento é o mesmo, mas é na forma que consiste a força da apresentação. Ele cria o muro. O muro é a representatividade de todos os nossos bloqueios. Todos os nossos “nãos” que ouvimos desde o nascer e até a nossa morte, todas as injustiças do mundo estão ali. O não da igreja, da família, da política, do sistema… Ele recria o “monstro”, representa isso de varias maneiras, com vários ícones e signos e simbologias. Ele brinca com todos eles, luta e se digladia com tudo, dispara a sua metralhadora para todos os lados, e quando tu acha que não vai acontecer mais nada, ele incita o público a gritar junto e ajudar ele a derrubar o muro: tear down the wall!!! É a força do grito, da revolta da massa que faz com que o muro caia. Quando falamos de nós mesmos é que nos tornamos universais.  Roger Waters soube entender o seu tempo e traduzir isso de maneira singular. Ele nos mostra que é possível. Não existe nada que seja parecido com o que vimos.
Do ponto de vista teórico é fácil perceber os momentos apoiados na construção dos arquétipos (se ocorre de maneira consciente ou não, eu não sei, mas está ali) e na mitologia do herói presentes no livro o Herói das Mil Faces de Joseph Campbell. Ele constrói mais do que um muro, ele constrói um mito. Fica mais fácil de absorver, porque somos uma geração que vivenciou muito disso que, ele mostra em som, imagens e efeitos especiais. Mas também reflete de maneira metafórica a luta do eterno adolescente, utópico que acredita que pode modificar tudo, recriar, brincar de deus. Ele pensa a sua obra numa perspectiva muito ampla e traduz a essência do circo, da odisséia, do teatro grego… é um concerto de rock com cenários, figurinos, sons, efeitos, artes gráficas, ilustrações, cinema, design, desenho animado… Tudo ali é muito bem amarrado e muito bem equilibrando nos aspectos artísticos.

Revisitar o espetáculo  The Wall mais de 30 anos depois  faz tanto sentido e mostra força de uma obra que é completa. A força de uma obra que só poderia ser realizada hoje com essa evolução tecnológica, o que acaba soando até contraditório. Porque essa evolução acaba sendo possível porque vem com todos os outros elementos juntos.

E por mais fantasmagórico, apocalíptico que seja e por mais profundo psicologicamente que o espetáculo se apresenta. Ele nos faz sair de lá bem. Com a alma lavada e acreditando que é possível derrubar todo e qualquer muro. Não canso de dizer que é impressionante. Indescritível. Ele faz as pessoas entrar numa sintonia cósmica um transe que proporciona momentos de alegria de risos, de tristeza. E por mais que diversas pessoas tenham gravado, não adianta ver isso na internete. Porque o esquema de som e sonoridades que ele recria ao vivo é único. Ele consegue ativar todos os sentidos. Saímos de lá como se tivéssemos sido pisoteados por algo. Ele nos faz pensar que podemos ir além. E quem ler esse texto pode até pensar que estou exagerando. Mas não tem palavras suficientes para descrever. Vou parar pro aqui, mesmo sabendo que o texto poderia render mais umas duas laudas no mínimo.

As fotos que ilustram esse texto são de minha autoria.

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Repolho e Graforréia. Foi sexta feira, dia 23 no Premier.

Foi legal. Sempre me impressiona ver as pessoas cantando e se divertindo junto nos nossos shows. E pensar que tudo começou com uma brincadeira. E a brincadeira era rir de nós mesmos. Brincar com esses regionalismos que em muitos momentos são vistos e entendidos como sinônimo de vergonha. Continuamos exercitando esse habito. Sempre digo que nos divertimos muito e quando vejo o público se divertindo também, nos motiva a tocar cada vez mais (pelo menos uma vez por ano – He He ). Pra mim o ponto alto do show foi quando perguntamos ao público. Não tem sentido tocar reggae em cidade que não tem praia. Vocês preferem reggae ou polenta??? e o público respondeu: Polenta! Polenta! Sensacional. É por isso que eu amo essa cidade.


A apresentação do Repolho contou com a participação da banda John Filme e foi bem legal. Foi uma idéia de colocar os guris tocando uma música da banda Repolho que surgiu ainda no Grito Rock. Sempre brincamos com a idéia de que um dia a gente vai convidar uma banda pra tocar as músicas o Anderson Birde vai cantar e eu e o Demétrio vamos ficar no palco jogando truco. O legal é que a John filme é uma banda instrumental, mas tem uma relação obscura as vezes clara com a banda Repolho. Esclareço pra não deixar confuso. O Akira sempre participou da banda fazendo participações nos shows desde pequeno e hoje é o atual baixista. A criança falando “essa é a banda Repolho” na música de Chapecó do primeiro disco, e a introdução do Uêra-Uê são gravações do Akira de quando era pequeno. E o Nando é a criança que aparece atrás do sofá na contracapa do primeiro disco. Contei o segredo. Todas as três fotos da contra-capa (vol.1, vol.2 e vol.3) são tiradas propositalmente na mesma sala da casa do Juka, pai do Nando (também conhecido como Marco Antonio). Lógico que o convite não vem somente por isso. Vem pelo fato de que eles estão tocando de maneira muito legal com uma proposta muito bacana. Sobre o Repolho é isso. Gostamos do show, nos divertimos muito e agradecemos a todos que foram.
A Volta do Quarteto Fantástico: Simplesmente Supersônica!!!


Andava eu pelas ruas em Chapecó ainda na década de 80 com meu walkman e ouvindo a demo “Com Amor, Muito Carinho” da Graforréia. Ficava imerso num repertório que achava sensacional e ficava pensando: será que um dia as pessoas vão conhecer isso? Um tempo depois fui entrevistado para o livro sobre a Graforréia intitulado “O Que Vocês Perderam” de Andre Vasquez. Ele perguntou: você acha que a Graforréia tem potencial comercial??? Respondi categoricamente que: Sim. As músicas são muito boas e podem virar hits.  Uma das provas disso veio com as regravações que o Pato Fu fez da música “Eu” e “Nunca Diga”. A música “Eu”, não só impulsionou as vendas do disco Ruído Rosa como é considerado o maior hit do Pato Fu.
Os shows da Graforréia em Chapecó, podem ser um outro exemplo para entender essa veia pop de transformar as cenas mais nonsense e as situações mais estapafúrdia em hits. O público canta o show inteiro. Estava em frente ao palco e constatando tudo isso. Tudo bem, “Amigo Punk” que se tornou um hino, algo que transcende toda e qualquer perspectiva ao se compor algo, mas o público canta junto todas as músicas independente de ter tocando na rádio ou não.
Outro elemento legal e imprescindível,  é que esse show marca a volta do Marcelo Birck pra banda. Desde a década de 80 que ele não era mais um ser supersônico xilarmônico. Chegou a fazer algumas participações especiais num disco aqui, num show ali e no show clássico que teve em São Paulo em 2000. Mas fora isso ele sempre se manteve nos seus projetos paralelos, entre Atonais, Aristóteles e discos solos. Pois bem essa volta é emblemática porque resgata a dupla de compositores Frank Marcelo/Marcelo e Frank. Os dois são responsáveis por cerca de quase todo repertório da Graforréia. Em 2000 motivados por um show que aconteceu em Chapecó, eles resgataram a parceria e compuseram novo repertório. Um repertório que trouxe novos clássicos como “Pau na Bucetinha”, “Bugiu” ou “Quase 40”,  “Rock com Passeata” entre outros. (Rock com Passeata é uma das canções do EP a ser lançado em breve) “Vamos todos a passeata reivindicar por melhores condições, somos uma turma muito unidas estamos cheios das boas intenções… Drible da vaca…”
Restabelecida a parceria a idéia é gravar disco novo com composições novas. No show eles executaram essas composições novas. Um disco  inteiro de inéditas esta prometido até final do ano. Já fiz minha lista de sugestões para serem gravadas e mandei pra eles. Dentre elas estão “Colares”, “Take a Bugo”, “Ela quer Pegar Uma Cor”, “Dizem que Não Estou Com Nada” canções antigas do repertório Xilarmônico que nunca foram registradas em disco.
Mas voltemos ao show. Nunca tinha visto um show inteiro com a formação clássica. E foi muito legal sacar ao vivo a importância do Birck enquanto presença de palco, sonoridade e imagem. A banda parece completa, porque não estamos falando somente das suas idéias que ajudam a equilibrar ou desequilibrar o som, mas é todo um contexto de sonoridades, o jeito com que ele toca e canta. O show cresce em musicalidade e em estranhezas também. Chegaram até mesmo tocar “Hordas de Demônio” que ao vivo fica impressionantemente ensurdecedora e por que não dizer infernal.
Sempre achei que faltava algo para equilibrar a insanidade das guitarras do Pianta ao vivo. E a química acontece justamente no momento em que a bateria e o baixo formam essas bases rítmicas e as guitarras se digladiam o tempo todo e que ao vivo geram uma massa sonora muito interessante sem perder o apelo “pop”. O show ainda contou com a participação de Anderson Bird (baterista do Repolho) tocando bateria na música “Eu” e  este que vos fala derrubando uma garrafa de água mineral com gás no palco e fazendo aquela lambança, na música “Baixo elétrico/baixo acústico”. Esse foi o primeiro show oficial da volta do quarteto fantástico. Tocaram quase duas horas e encerraram o show com o público pedindo bis e tocando justamente a música “Com Amor, Muito Carinho” do Roberto Carlos e que dá nome a primeira demo da banda. E com isso tudo eu só tenho a dizer: Erga-te Dominus, Puela Sacrossanta,  Graforéios  Xilarmônicus! Graforréios Xialrmônicus!

Belle & Sebastian | “Crash”

Cover de The Primitives para a coletânea Late Night Tales.

É o Grito Rock “occupied” a Estância das Águas

Depois de muita insistência principalmente das bandas é que aconteceu o primeiro Grito Rock em Chapecó na Estância das Águas no ultimo final de semana. O evento teve apoiadores, mas não patrocínio e só funcionou em função da mobilização que cada banda teve ao pensar formas de buscar alternativas e mobilizar o seu público para o evento. O público estava tão carente de eventos legais e alternativos que acabou por criar um clima interessante, sem confusão e sem brigas. Resumindo a noite estava bacana e o clima ótimo. A ideia era juntar, além das sete bandas que participaram, encabeçadas pelo “Entrevero de Rock”, proporcionar outras atividades que ia acontecendo durante o dia para que de noite acontecessem os shows, como por exemplo intervenções artísticas/cênicas, roda de capoeira, oficinas, camping entre outros . E funcionou.
As sete bandas se mostraram empolgadas com a história toda e proporcionaram ao público momento muito legais.
Fotos do evento no Carretel de Idéias: http://www.flickr.com/photos/carreteldeideias/
A noite começou com show da banda Anestesia. Curiosamente a outra apresentação que eu tinha visto deles, aconteceu naquele mesmo espaço há uns 6 anos atrás (se eu não me engano). Tirando o fato de que eles estão mais velhos, é interessante perceber que o som continua com a mesma energia e proposta. É punkrockoldschool na veia. Lógico que com algumas pitadas de outras influencias no meio, elementos estes que só a idade proporciona. A segunda banda foi a “novata” John Filme, com um rock instrumental vigoroso, soube manter o pique e botou pra quebrar. Contou com a participação deste que vos escreve interpretando uma música do Repolho – Give it Away). A terceira banda foi a Souldeliro, outra banda mais nova, que também aposta em composições próprias e proporcionou ao público momento muito legais. Nunca tinha visto a banda ao vivo e curti a proposta. A banda é nova, mas formada por uma gurizada que vem de outras experiências musicais, ou seja mesmo sendo nova já apresentam características em termos sonoros e proposta de show mais maduro. A Setmoselo, ao meu entender foi prejudicada pelo som. Tinha pouco tempo para troca de palco e troca de banda e o som não estava legal, com muitas microfonias e sons de abdução alienígena aconteciam o tempo todo e  acredito não fazer parte da performance.
A Epopéia ao meu ver, entender e sentir, foi a melhor performance da noite. O show foi muito bacana. Os últimos shows deles que eu tinha visto eram em teatros e os shows eram mais viajandões (no bom sentido) apostando numa proposta diferente. Nada como o tempo para entender as propostas e criar o feeling necessário para saber a hora de proporcionar a imersão e a explosão no som. O público respondeu bem e eles demonstram que estão numa fase muito bacana e num amadurecimento musical muito foda. Eles ficam a vontade no palco e soltos para brincar com o som. O show do Marujo Cogumelo estava muito legal, mas pra mim foi o fim da noite. O show foi mais divertido e solto. Tocaram músicas do seu primeiro disco e do compacto em vinil lançado ano passado. E fica claro o amadurecimento musical que a banda vem tendo não somente me composições mas também no palco e nas apresentações. Eles estão compondo disco novo e até fim do ano devem lançar novas canções.
A última banda eu não vi. Estava lá desde o inicio da noite e a dor nas costas foi mais forte. Acabei dando uma de leão da montanha e sai pela esquerda. Se alguém viu e quiser comentar fique a vontade.
O legal é que a primeira edição do Grito Rock Chapecó foi muito positiva, contabilizando um numero muito legal de participantes e ficando muito além das expectativa de todos.
Confira aqui o especial Grito Rock Chapecó feito pela Unowebtv.

Parte1-
Parte2-
Parte3 –

JOHN FILME E GIOVANNI CARUSO NO THE WALL.

Parece meio idiota o que eu vou escrever, mas acho importante contextualizar. Eu nunca tinha ido no The Wall. Tudo bem, tu pode olhar e dizer que o bar com esse nome existe há bem pouco tempo. Mas eu nunca tinha ido nem quando era Morrison nem quando era o nome anterior. A desculpa é que as coisas que eu queria ver não coincidiam com os meus horários e vontades disponíveis.  Sendo assim não tenho um parâmetro pra dizer se melhorou ou não. O que me chamou a atenção foi a vontade de algumas pessoas em “profissionalizar” o local. Levar a coisa mais a sério, tratar os processos com mais profissionalismo, oferecer eventos de qualidade, tratar as bandas e público com respeito. Como eu falei. Não sei se isso acontecia ou não antes. Estou escrevendo o que eu ouvi das pessoas que estão coordenando o espaço a partir de agora.
Gostei do espaço, como nunca tinha ido, pra mim tudo era novo. E achei legal o lance do palco bem próximo do público, um tamanho bacana, com um som legal.  Não tinha muita gente nessa noite. Não sei como a casa se comporta num dia que tiver mais movimento….
John Filme.

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A John Filme é uma banda nova e de pessoas novas. Não se apresentou muito na cidade e já fez um show em Passo Fundo no final do ano passado. Ou seja é uma banda que ensaia bastante, mas não se mostra muito. Talvez por falta de espaços pra isso. O legal é o fato de ser uma banda que aposta em possibilidades musicais diversas. Hora instrumental, hora cantando. A proposta é autoral, mas eventualmente tocam uns covers de bandas que são referencias para os integrantes. O mais bacana é que o publico parece entender a proposta e está simpatizando com a banda. Vejo uma descontração da banda no palco, e uma leveza nas apresentações. Os integrantes gostam de tocar e tocam, tocam pra caralho, mas não se importam de brincar com solos mais simples ou fazer piadas de mau gosto com o público. E o publico recebe bem essa idéia. Hora xingam a banda, em outros momentos batem palma. Acredito muito que é uma banda que tem tudo pra desenvolver uma relação de amor e ódio com o público, mas de maneira saudável, se é que isso é possível. Ao meu entender isso deixa os shows mais divertidos. Esse é o quarto show da banda. E talvez, dos que eu vi, o mais próximo do público, um show que começa a aproximar mais a banda de pessoas que vão interessadas em ouvir os nomes estapafúrdios das músicas, e os momentos de equilíbrio em termos sonoros e de desequilíbrio em termos de performance. É um misto de metal farofa com frango.
Conversando com os integrantes é fácil perceber que eles estão curtindo muito esse momento em que predomina a idéia de diversão. Não estão muito preocupados com um estilo ou se é instrumental ou não, se vai ter cachê ou não, se vai ter som legal ou não. Eles querem é tocar. Mas é legal perceber que as pessoas estão aos poucos assimilando a proposta e o show acaba sendo bem divertido.
Giovanni Caruso e o Escambau.

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O Faichecleres tocou muitas vezes em Chapecó, e mesmo sendo uma banda que não estava na mídia, formou um público e criou grandes hits. Uma banda sempre é uma banda, mas a presença do Giovanni sempre foi forte enquanto compositor. Enfim… a banda acabou e o que ficou foram memórias e canções.
Os tempos são outros e os projetos também, e nesse sentido o que se percebe é um amadurecimento muito bacana enquanto compositor e também na proposta musical como um todo. Vou começar de traz pra diante por isso que fiz essa introdução falando dos Faichecleres. Lógico que o público pediu músicas dos Faichecleres e o Giovanni prometeu um set acústico, voz e violão para o final. O Giovanni sempre fala com carinho de Chapecó, pela forma com que sempre foi acolhido aqui, e se prontificou a fazer isso. Já tinha visto um show dele em Curitiba nesse formato e curto essa ideia. A ideia de tocar somente “voz é violão” é um desafio, ainda mais para locais como o The Wall. Porque ali o que predomina é o barulho e som alto e pessoa conversando. E esse formato é o músico desnudo no palco enfrentando o público de maneira sincera.  E o Giovanni já pegou as manhas ergue os volumes e toca com força e faz sair sangue da garganta ao cantar. Resumindo o show fica rock and roll sem banda. tocou “Alice D”, “Ela Só quer me ter”, “Aninha Sem tesão” e improvisou uma releitura de um música do Sérgio Sampaio (Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua) que diga-se de passagem redimensionou a música, deixou a interpretação com mais raiva e menos carnaval. É impressionante a forma com que as pessoas cantam as músicas do Faichecleres. Com o passar do tempo viraram verdadeiros clássicos.
Voltemos ao show do Giovanni Caruso e o Escambau. O que eu falo de amadurecimento não só e contatado nos dois discos, mas também ao vivo. A banda reproduz de maneira muito legal as canções hora mais baladas, horas mais introspectivas, hora mais vigorosas de maneira a criar texturas e nuances. O show nesse sentido ganha força e contornos diferenciados e se apresenta de maneira muito dinâmica. É legal ver como as músicas do primeiro disco se comportam com as musicas do segundo disco.
A formação facilita e possibilita que o show seja feito de momentos. Os personagens que se apresentam de forma conceitual na capa do disco estão no show, como se fossem personagem de uma visão circense do rock.
O disco. “Ordem e Progresso via Pão & Circo”


Recém lançado oficialmente, o disco foi disponibilizado na internete final do ano passado, mas somente agora que a versão física chegou. Pra mim esse segundo disco oferece pequenas modificações. Se o primeiro era homogêneo e falava as mesmas coisas utilizando novos recursos sonoros. Com esse segundo disco Giovanni apresenta um lado mais critico, que vai desde a nome do disco e de algumas músicas até momentos extremamente introspectivos. Momentos que fazem refletir. O Giovanni enquanto compositor que sempre foi, explora cada vez mais o dom da palavra e traz percepções poéticas muito interessantes do cotidiano. Uma das minhas musicas preferidas é a música “Cenário de uma Quase Tragédia”. Acho bacana falar de uma situação contar uma história como se ela quase tivesse acontecido, mas que não aconteceu. Esse pra mim é o exemplo disso tudo que eu falo nos parágrafos acima. Conversando com o Ivan no final do show comentei sobre isso, e ele falou que foi muito fácil inserir a música no repertorio porque ela meio que caiu nas graças do público que nos shows canta a música junto.
Pedi no show pra eles tocar “Autorama” que é uma música que eu gosto do primeiro disco. Eles disseram que o “ré” do piano não afina, daí eles limaram as musicas em ré do show. Achei engraçada a desculpa e resolvi compartilhar, ou seja um show sem “ré”.
Mas enfim… o saldo foi positivo e a noite foi muito legal. Espero que o novo The Wall possa proporcionar mais noites como essa.