Arquivo para novembro \14\UTC 2013

Vertigem sem álcool (ou com álcool se preferir).

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Vertigem pode ser uma coisa legal, ou não, dependendo de onde você está ou com quem… pode ser uma noite embriagada por coisas legais ou compartilhando as sensações com o meio fio de um edifício qualquer. As artes, de uma forma geral, servem para proporcionar momentos de embriagues poética…. deixar o dia a dia mais pulsante… pode ser a base de uma existência mais suportável…

Em Chapecó temos um grupo de poesia com esse nome. O grupo Vertigem surgiu em meados de 2007, mas incorporou o termo “de ações poéticas” a esse nova etapa, abrindo o leque de opções/formatos artísticos. Incluindo, além da poesia enquanto literatura, aspecto musicais, projeções de vídeos, artes plásticas e um enredo pensado especificamente para o espetáculo, amarrando as mais diferentes formas criando, links inusitados entre poetas separados pelo tempo.

O nome do espetáculo que (re) estreou no dia 27 de julho (2013) se chama “poesia pra gente da vida”. A temática escolhida para essa nova etapa, determina a escolha dos textos e o tipo de abordagem que o espetáculo apresenta. Dividido em quatro capítulos o espetáculo vai evoluindo conceitualmente e misturando estilos, e colocando num mesmo espaço poetas como Charles Baudelaire e Bukowski, Allen Ginsberg e Pablo Neruda. Acredito que a escolha dos poetas é livre, e cada integrante coloca um pouco da sua verve interpretativa a serviço dessa narrativa, ditando o ritmo necessário para cada momento. Fica claro perceber que eles tiveram uma proposta sociocultural na escolha desta temática. Todos os temas partem de uma estética, mas potencializando a diversidade, questionando as diferentes percepções sociais sempre guiados por temas cotidianos da vida, da rua, do bordel, dos amantes… conseqüentemente do amor.

A trilha composta pelo Jakson Kreuz e pela Liza A. Bueno (baixista da banda Epopeia), intensifica e dita certo ritmo necessário as leituras, hora mais agressivo pulsante, hora mais melancólico introspectivo, hora mais alegre e vibrante.  Devido a intensidade com que as canções são executadas, também podemos inverter a lógica e ouvir  mais a música em vez da palavra lida-falada. Principalmente devido ao ritmo cadenciado de alguns poetas que podem perfeitamente se misturar as notas musicais e ser entendido de maneiras diferenciadas. Abrindo ainda mais as interpretações e subjetividades. As projeções de pequenas narrativas temáticas aparecem em formato de filme e acompanhavam essa lógica, possibilitando novas metáforas e sensações, contrapondo e intercalando as declamações. A voz que “dita” os prazeres literários (não de maneira arbitrária), vira sons e imagens e se contradizem ou se complementam enquanto necessidades. Para o público é sempre uma possibilidade intensa de novas sensações.

As imagens que foram pensadas para um espetáculo de aproximadamente uma hora ganhou contornos de curta metragem. E isso é legal porque abre em possibilidades a idéia de levar isso para outros lugares explorando outros aspectos artísticos que a proposta tem.

O espetáculo foi criado e ensaiado durante cinco meses e se ramificou em diversas apresentações, sempre em espaços alternativos. O local escolhido para estréia foi o Café Brasiliano, popularmente conhecido como café do Miguel. Segundo os próprios integrantes ali sempre foi o berço dos encontros do grupo e também palco para diversas apresentações. Nesse sentido o local não seria mais propicio para o lançamento dessa nova etapa. Mas é legal perceber que o formato das apresentações é livre, cabendo reformulações para os mais variados espaços, como aconteceu na Face (Feira de conhecimento, cultura e educação) ou na EFAPI, para citar exemplos um pouco distantes. Nesse sentido a proposta interativa é intensa e eles não tem medo de levar a poesia aos mais diferentes espaços trabalhando com públicos diferenciados.

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Pois bem, no ultimo sábado (dia 09 de novembro) aconteceu a apresentação do grupo no projeto Unocultural (da Unochapecó em parceria com o SESC). A lógica era outra e o grupo mais uma vez teve que se adaptar, dessa vez pensando o espetáculo para o palco do teatro. Se pensarmos no aspecto palco/dinâmicas e afins, o espetáculo cresce e se transforma numa coisa mais intensa e pulsante. Foi o que aconteceu, em apresentação única o teatro do SESC foi tomado por sentimentos em estado bruto. Ao centro do palco os dois músicos que começaram dando o ritmo da apresentação. As projeções aconteciam no fundo do palco e em torno dele, peças de uma mobília antiga, formando pequenos púlpitos de declamação, seja através de um baú, cadeiras iluminadas por abajures ou uma escrivaninha. Tudo isso se completava com a mobilidade e flexibilidade musical e das leituras. Nesse espaço o espetáculo ganhou novos contornos e a imersão era inevitável. Fomos fisgados por um cenário intenso, bucólico e propicio para o sentimento aflorar. As luzes que se modificavam com a intensidade das leituras geravam contornos interessantes para miscelânea poética apresentada.  O espetáculo foi lapidado desde a primeira vez que eu vi (em julho), e tudo parecia mais fluido. O publico que se fez presente quase lotou o espaço do SESC demonstrando que mesmo nos tempos atuais as pessoas ainda se interessam por poesia.

O grupo atualmente é composto por cinco integrantes que leem ou declamam para o público e uma série de pessoas que de forma direta ou indireta participam. Com formação em diversas áreas e a reunião dessas diferenças, criam um mosaico interessante e multicultural. É perceptível a afinidade que eles tem no palco, mas que se estende para fora dele. É um grupo de amigos que deve fazer isso todo final de semana para se divertir, e percebeu que poderia compartilhar isso com outras pessoas. O público agradece pela oportunidade de adentrar no mundo da poesia em pleno século tecnológico. Principalmente em se tratando de um momento de transição, onde as pessoas ficam mais reflexivas em relação as incógnitas que a vida proporciona, seja através da política, religião, sociedade e assim por diante.

Participam do Grupo: Diógenes Gluzezak, Herman G. Silvani, Liza A. Bueno, Tatiana Zawadzki, Valdemir de Oliveira, José Boita, Inajá Neckel, Fabiane Biazus e Jakson Kreuz.

Acompanhe e fique atento as próximas apresentações do grupo:

https://www.facebook.com/grupovertigemacoespoeticas

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