Arquivo para fevereiro \13\UTC 2015

Mundo Delay – Uma Grande festa, um grande evento!

Venho há um tempo acompanhando (mesmo que muitas vezes a distância) os eventos que a Delay vem realizando em Chapecó. E, desde os primeiros momentos achei legal a ideia de se fazer um grande evento de rock, um festival… algo que contemplasse as bandas locais, mas sempre na lógica de trazer bandas desse cenário alternativo e pulsante. Esse mesmo cenário que cresce e se fortalece a cada ano. Pois bem,  Mundo Delay saiu do papel, das ideias e virou um evento que aconteceu na Moai em Chapecó, reunindo 9 bandas num único dia e hoje é mais fácil de entender o que foi pensando e o que aconteceu e como as coisas podem evoluir.

Mesmo, já tendo vistos alguns dos shows anunciados, principalmente os de bandas locais, e conhecendo pouco das bandas de fora, resolvi comparecer, porque festival sempre é legal pelo formato, estilo, troca de informações e energias mil e também pra conhecer bandas novas. Você paga ingresso pra ver as bandas que quer ver e acaba vendo “no pacote” as que não queria ver e muitas vezes se surpreende e acaba conhecendo coisas novas.

Fui, sabendo que não ia ficar até o final, tinha me organizado pra ficar até que a minha paciência acabasse ou o meu cansaço me vencesse.  Cheguei cedo, era quase seis horas da tarde e a primeira banda, “Capivalium” já havia se apresentado abrindo as festividades. Conforme a divulgação, os shows estavam atrasados em uma hora.  Achei normal, porque quando se propõe algo diferente, tem que prever e saber lidar com questões culturais. Se for pensar por esse aspecto, um atraso de uma hora é normal e até previsível. Quando cheguei já tinha um público bacana e isso foi uma surpresa, quer dizer, as pessoas entenderam a proposta e foram cedo.

A primeira banda que eu vi tocar, foram os Durangos. Já vi outros shows da banda e sempre me pareceram performances sinceras e vigorosas. Um som pesado, mas eventualmente mesclando alguns momentos mais melódicos. Aproveitaram o evento e lançaram um novo single e caixinhas de fósforo para o público.

jef

A terceira banda do dia foi o Jéf, que na verdade é o cantor Jérferson Souza, que conquistou (vem conquistando) a mídia e a fama depois de aparecer e vencer o programa Breakout Brasil (apresentado pelo Edu K – Defalla) e assinar contrato para gravar um disco pela Sony Music. A base do show é ainda do primeiro disco lançado em 2012. São canções mais intimistas e o show começou devagar, nesse clima mais introspectivo. Numa dinâmica interessante, mesclando novas canções e com uma pegada diferente, o show foi se intensificando e crescendo até terminar de maneira mais explosiva e empolgante. Jéf sempre comunicativo, transpareceu a simplicidade que conquistou a todos no programa. Não se importou muito com o pouco público e ia conversando quase que de maneira individual com as pessoas que ali estavam e já demonstravam conhecer o repertório e cantando algumas de suas músicas. Em certo momento tocou um trecho da música “Benga em Chapeco” dos Irmãos Panarotto (disco 2Violão e 1Balde), numa referência a cidade e se desculpou por ter errado uma parte. Sem grilo a musica é errada mesmo.

red tomatoes

Logo depois vieram os Red Tomatoes e encantaram a todos com o seu rock no (quase) carnaval. A banda completou 20 anos ano passado (prometi um texto sobre isso, mas deve sair em breve). É um show animado com composições novas e velhas canções conhecidas do público. No final fiz uma participação na música “Gosto de Garotas” que faz uma citação de uma música do Repolho e do Pink Floyd. Era pro Roger aparecer também, mas ele tava cantando “inútil a gente somos inútil”, e não pode comparecer.

A Epopeia ao meu ver, vem a cada show surpreendendo. Gostei da apresentação e o público já estava mais “quente” e próximo quando a banda subiu ao palco.  Isso sempre ajuda e a banda acaba se empolgando mais. É perceptível, que, pelo fato de tocarem mais, estão mais entrosados enquanto execução, performance e show de uma forma geral. Uma banda muito bacana que com o tempo soube conquistar o seu espaço. Eles não tocam muito, mas quando tocam sempre fazem excelentes apresentações, como foi o caso desse show no Mundo Delay. Aproveitaram para lançar e divulgar o primeiro dvd “a vida é agora” lançado final do ano passado em Chapecó.

epopeia

Wannabe Jalva eu não só não conhecia, como nunca tinha ouvido falar e muito menos ouvido algo. Normal, véio na internete sempre tem dificuldade de entender onde que estão as bandas novas e quais valem a pena ouvir. Fiquei pra ver e de cara me chamou atenção a potência de uma performance profissional e organizada. É tudo tão certinho que em determinados momentos parece engessado. Lógico, que isso dito, por este que vos escreve e que curte um erro aqui e um improviso ali. Mas gostei muito da maneira com que eles se comunicam com o público, das músicas e do clima dançante e agitado do show.

A minha meta era ficar até o show dos Variantes (pelo menos), mas não guentei o tranco, as costas começaram a trincar, sai sorrateiramente e de forma muito rápida. Outro detalhe que me chamou atenção. Entrei rápido e sai rápido de um evento em Chapecó. Porque já cansei de ficar em fim de festa esperando até uma hora na fila pra pagar a comanda (o que me faz pensar várias vezes antes de sair de casa pra ver qualquer coisa).

O saldo no meu entender foi muito positivo em vários aspectos. O lugar é muito legal, e possui infraestrutura bem bacana, mas gostei muito de como as coisas foram organizadas pela Delay, desde a entrada, sinalização, comida, bandas e atrações do evento… Mas por ser uma primeira vez do evento, o Mundo Delay já nasceu grande.

Lógico que sempre vão existir um probleminha aqui e um outro detalhe ali para ser resolvido, mas acredito que são ajustes que só ajudarão a afinar ainda mais o evento nas próximas edições

Independente disso, foi um primeiro passo importantíssimo para consolidar o cenário local de banda de rock e de eventos. Parabéns a Angélica pela iniciativa coragem de fazer a coisa toda acontecer. Que venha a próxima com uma expectativa muito maior.