Arquivo para setembro \25\UTC 2009

Júpiter Maçã – Modern Kid concorrendo ao VMB na categoria de video-clipe do ano!

É com muito orgulho que eu venho lhes anunciar que Modern Kid está concorrendo ao VMB na categoria de video-clipe do ano!
Para participar é muito simples, basta apenas votar, e o mais importante pode-se votar quantas vezes quiser!

O clipe estreou na MTV, vocês poderão acompanhar ele na programação!

http://vmb.mtv.uol.com.br/cat_videoclipedoano.html

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Clip – Júpiter Maçã – Modern Kid

making of – Júpiter Maçã – modern kid

Repolho na MTV

1ª Mostra de Documentários Chapecó

cinelo email mkt 03Programação oficial
22/09 - Jogo de Cena - Eduardo Coutinho
23/9 - Jesus no mundo maravilha - Newton Cannito
24/9 - Serras da desordem - Andrea Tonacci
25/9 - Nelson Freire - João Moreira Salles
26/9 - Faltam 5 minutos - Rogério Cassol +
Espírito de porco - Chico Faganello e Dauro Veras (No dia 26, os diretores
Chico Faganello e Dauro Veras estarão presentes na
mostra para debater a produção do documentário).
mais informação: http://www.cinelo.com.br:80/

Show de róque com o Astronauta Pingüim e Epopéia.

astronauta2A noite começou como sempre a noite começa em dia de show. Com todo aquele processo de ciceronear os músicos de fora, passagem de som e ajustes finais. Muitas vezes antes que a noite realmente chegue. Aquela troca de experiências que acabam acontecendo. E a proposta sempre foi essa: tocar, se divertir, trocar experiências e descobrir elementos facilitadores dentro de processo de musica alternativa para que as coisas realmente aconteçam. Fazia um tempo que o Astronauta Pingüim não se apresentava em Chapecó. Na verdade nas outras vezes que ele veio pra Chapecó, sempre foi acompanhando Júpiter Maçã. Mas na verdade entre um projeto e outro, seja na parte de produzir amigos (Jimi Joe, Pupilas Dilatadas, Daniel Beleza, Revoltz entre outros), acompanhar os amigos no palco, discotecar, Astronauta Pingüim tem uma carreira solo com dois discos lançados. É legal perceber que nesse contexto o Pingüim não se leva muito a serio. Acho legal esse tipo de postura. É profissional, cumpre com os seus atributos, mas esta de bem com a vida e encara as coisas de maneira mais descontraída. Acredito que seja uma arte o cara saber rir dele mesmo e se divertir com isso. Nunca tinha visto ele tocando em carreira solo e confesso que me surpreendi. Aquela figura pacata e simpática abre espaço para o monstro do moog dos sintetizadores e encara algo totalmente superior. Mas um monstro (dando seqüência na metáfora) comunicativo e que sabe o que esta fazendo. O que o pingüim faz no palco??? Se diverte. Tu percebe isso mesmo nos momentos mais sérios do show ou então nos momentos mais descontraídos, entre um música e outra. Conversando, ele diz que não está muito preocupado e sabe que o tipo de som que ele faz é assim mesmo. E que talvez num primeiro olhar as pessoas tenham certa dificuldade de entender o que ele se propõe a fazer. E até acha legal quando alguém diz que não gostou. Dessa vez ele veio acompanhado do baterista Ramiro (mas ele tem vários músicos que o acompanham pelo Brasil) é difícil hoje em dia você viajar com uma estrutura fixa. O Brasil tem uma extensão territorial muito grande e as distancias encarecem qualquer produção mais alternativa. Na verdade o Pingüim faz uma coisa que o Wander também faz e quem sabe uma série de outros músicos em carreira solo vem fazendo ou deveriam fazer. Juntar pessoas em diversos lugares para toda vez que ele viaja, levar somente o básico (ou seja ele mesmo). Mas enfim…  intenção do show foi mais ou menos a seguinte: Eles viriam até Xanxerê (terra natal do Ramiro) para gravar um vídeo clipe de uma música que está no segundo disco do Pingüim. Aproveitaram para gerar a possibilidade de um show. Contataram a banda Epopéia que estava procurando uma oportunidade para lançar o segundo EP da banda e propuseram um grande evento.

O que foi a festa? Uma noite intitulada “desConcerto do Tempo”, com direito a duas bandas muito bacana e projeções de filmes do Kubrick e do Tarkovski.

Voltando ao show do Pingüim. O show é composto por músicas que estão principalmente no segundo disco solo e também releituras a partir das suas referências musicais. Aí, nessa salada toda, tudo soa muito original, porque podemos conferir num mesmo show Smiths, Júpiter Maçã, o seu trabalho solo e Madona. O Pingüim utiliza como equipamento sintetizadores e moogs (inicio da música eletrônica e que tem no Brasil seu maior expoente representado pelo músico Lafaiete) e o show foi uma catarse psicodélica. Pois bem o lado Lafaiete abriu espaço para a voz. As vezes normal, mas na maioria das vezes utilizando um vocoder (instrumento da década de 70 que sintetiza a voz deixando-a com som robótico). O baterista Ramiro é quase uma “Meg White” em seu estilo de tocar. Simples, economizando as possibilidades que o instrumento tem e possibilitando que a massa sonora se forme em torno dos instrumentos tocados pelo Pingüim. O solo proferido por ele no meio da música Lugar do Caralho foi simplesmente sublime. Uma percepção estética minimalista que impressionou pelo despojamento e leveza com que as coisas aconteceram. Uma criança que estava na platéia olhou e disse: É o au au???

O final do show, que foi crescendo aos poucos e acostumando os ouvidos menos avisados, foi apoteótico com direito a música Lugar do Caralho (um verdadeiro hino underground) do Júpiter Maçã, com intromissão deste que vos escreve, no vocal. O show terminou com o público ao delírio pedindo biz. Mas a noite ainda prometia surpresas. E o show do pingüim que não foi muito longo e que o meu ver nem deve ser pra não encher muito o saco abriu espaço para o som mais rock and roll da banda Epopéia.

O Epopéia.

epopeiaMe permito um parêntese extremamente necessário antes de comentar o show, para que todos possam visualizar melhor e estabelecer relações. O Nico sempre foi uma pessoa de opinião. Certo ou errado ele tinha essa vontade de manifestar suas idéias. Em função disso acabava sendo criticado. Nada mais normal, geralmente as pessoas não querem ouvir opiniões. Lembro-me de um tempo (até bem distante poderia dizer…) onde o Nico muito mais falava do que fazia, e as pessoas acabam muitas vezes criticando-o em função disso também e talvez também em função de uma série de outros detalhes que não convém nesse exato momento. Mas a verdade é que o tempo passa e as pessoas amadurecem e hoje o Nico é uma pessoa que continua com as suas convicções, é fácil perceber isso ao conversar com ele pessoalmente, mas utiliza e expressa as suas angústias de forma muito mais interessante, ou seja através da música e da poesia (das artes em geral eu diria). É isso mesmo, nos últimos anos a Epopéia resolveu deixar as garagens e mostrar o lado garageiro da banda no palco. Com dois EPs gravados, uma participação num programa da MTV e diversos shows na região, é fácil percer a maturidade sonora da banda. A possibilidade (gerada por eles mesmos) de tocar mais vezes faz com que a banda adquira perspectivas em relação ao palco. É visível o processos evolutivos que a banda teve e ainda tem. O show de ontem foi um exemplo disso tudo que eu estou relatando. Um show mais solto, descomprometido, e consequentemente mais legal. Quando me refiro ao Nico pra falar do Epopéia é porque sempre tive a imagem de que ele é o pilar central disso tudo, mas lógico sempre (muito bem) acompanhado (diga-se de passagem) pela esposa Lisa e pelo baterista Tubin. Que respondem muito bem a todas as perspectivas que a banda tem. O Tubin tem um estilo de tocar que é muito legal e que combina com a proposta da banda e a Liza (apesar da mão biônica em função dos movimentos repetitivos) está tocando cada vez melhor. O vocal da banda (Eliz) é um caso parte. Ela é Irma da lisa. E daí quando mistura família demais acaba sendo difícil para conciliar tudo (haja visto inúmeros exemplos no rock). A Eliz já entrou e saiu da banda algumas vezes. E isso também era algo que acabava atrapalhando o processo todo. Porque quando ela não estava na banda o Nico assumia os vocais. Com ela na banda o show ficam mais solto e descontraído deixando o Nico menos preocupado e mais concentrado no seu instrumento. No repertório é fácil de perceber como que as novas composições se misturam com as composições antigas. E quando eu digo novas composições, são novas mesmo. Fora as músicas que estão nos dois primeiros EPs da banda e sendo que um deles (Epopéia em mo.vi.men.to) foi lançado nessa noite, eles estão apresentando no palco novas composições. Isso quer dizer que em breve novas gravações vão surgir. No meio disso tudo tem alguns covers, que acabam se incorporando muito bem no repertório da banda. E isso também é legal porque geram dinâmicas diferentes nas apresentações. Nesse sentido é legal perceber que a banda aumentou o público que já canta junto músicas do novo Ep como é o caso da música ventila-dores. Na música “Ando Meio Desligado” dos Mutantes o show contou com a presença do Astronauta Pingüim no Moog, Ramiro chacoalhando o chacoalho e dançando e minha (este que vos escreve) nos vocais.
Pois bem foi uma noite de rock and roll que há muito tempo não via em Chapecó. (tudo bem que eu não estou saindo muito de casa ultimamente) mas essa onda de sertanejo universitário é pra acaba com a paciência de qualquer um. E antes de acabar a escrita só tenho uma coisa a dizer: “Pai, é o au-au???” é uma piada interna que não pode ser explicada por motivos alheios a minha vontade. Fiquem com o nonsense da situação que também pode ser bacana.