John filme no SESC (dia 11.09.2011)

John filme. Ao me aproximar percebi uma mulher em preto e branco, quase desnuda, usando poucas roupas e intimas (quase uma Scarlett Johansson nas fotos que vazaram na internete) ao lado de uma imagem circular que sugeria um nome. Era um cartaz que não anunciava nada, mas num esquema meio art-pop meio calabresa, que formava um mosaico de uma repetição em série. Tipo jogo dos sete erros, mas sem os erros. Na mesa ao lado estavam alguns postais com essa mesma imagem. Pensei se tratar de um filme, esta escrito filme, porque não seria um filme? E não era. Quem colocaria o nome filme numa coisa que não é um filme? Percebi isso quando entrei na sala para ver o que estava acontecendo…

John filme é uma banda formada por três garotos estranhos que fazem um rock instrumental barulhento e ficam falando palavrões ao microfone. Um rock vigoroso, forte… talvez apimentado mas que não se define num único estilo. Poderia dizer que é uma falta de estilo, mas isso não vem ao caso porque eles exploram as questões musicais como um todo. Uma hora é funk, noutrahora um hardcore, as vezes uma balada, tudo isso misturados a um monte de outras referencias que podem parecer explicitas ou não. Uma química muito interessante que poderia ser usada como trilha dos filmes do Tarantino ou na Tv Xuxa. A formação me parece um pouco inusitada. Uma banda que se constrói na mistura de tudo um pouco, tinha que apresentar essa diversidade na formação. O baterista é o mais novo deles. Tem 14 anos. É metaleiro de carteirinha (pai, mãe, tio, vizinhos e parteira). O baixista e o vocalista são da mesma idade (e altura), mas um é japonês e o outro é argentino. Poderia dizer que é uma banda que reflete os tempos de internet. Estamos aqui, ali e ali e aqui e em todo lugar. Misturando tudo e não definindo nada. (Precisa definir???)

No palco, além de uma discreta ornamentação vintage que se fazia presente através de um engradado de madeira da serramalte (sem a serramalte) utilizava o contraponto do design moderno e futurista através do microondas ganho na promoção do vídeo de aniversário do supermercado Brasão. Antes de pensar em fazer qualquer apresentação pública, show etc, eles pensaram em participar de um concurso de supermercado. A primeira imagem da banda apareceu num tablóide de mercado ganhando um forno de microondas. Pode ser que seja marketing mas na verdade não é. O microondas é um integrante da banda. Assim como um tal de Matheus Costa (http://www.flickr.com/photos/tomatespacial) que também faz parte, mas fica responsável pelos desenhos e parte gráfica (no caso o postal que estava na entrada do local) e que nem sequer aparece nos shows (nem no palco nem na platéia).

No repertório, somente músicas da banda. Uma série de composições com nomes estapafúrdios (hora engraçados)(Punk negára, palmas pro gringo, mute mode stereo Love entre outros)  e que refletem esse lado descontraído que a banda tem de fazer música. A impressão que fica é que o público é um mero detalhe e que eles estão ali pela diversão mesmo. Seja na performance ou nos comentários religiosamente redigidos ao microfone nos intervalos das músicas. “Saveiro não é um carro, é um estilo de vida.” “Nós somos uma banda pobre e não temos dinheiro pra comprar um afinador e nem contratar um roadie por isso vocês vão ter que ficar ouvindo eu afinar a guitarra.” Enunciou Akira num dos intervalos ruidosos entre uma música e outra.

Na metade do show levanta um gordo barbudo da platéia e vai ate o palco retira um pacote de pipoca de microondas do bolso, abre o pacote, coloca no microondas e espera dois minutos e meio até terminar a música e no caso, estourar as pipocas e sai do palco. Tive a oportunidade de conversar com ele depois do show e ele disse: “gordo que é gordo tem que estar sempre bem preparado para todo e qualquer momento”.

No final do show a grande revelação. O Cowbell utilizado era na verdade uma panela da Gladis (mãe de um dos integrantes e maquiadora da banda). E dessa forma, entre um spot de luz amarelo e um vermelho, a coisa toda vai acontecendo e se transformando.

Num cenário onde as coisas acontecem de maneira lenta e muitas vezes sem estrutura alguma… É legal perceber que o SESC que tem uma estrutura bacana, disponibilize esses espaços para bandas novas. No caso da John filme, uma banda que tem pouco tempo de formação (seis meses), umas músicas no my space, uma participação num programa de televisão, um tablóide de mercado, uns postais e contando com esse do SESC, três shows no currículo.

Em breve vou disponibilizar uns vídeos.

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